Consumo e classes sociais em Portugal e na CPLP

Título do Projeto
Consumo e classes sociais em Portugal e nos países da CPLP

Data de início e de término do Projeto
2007 – Até ao presente

Investigadora responsável
Professora Doutora Raquel Barbosa Ribeiro, ISCSP-ULisboa

Descrição do projecto

Quais são os carros conduzidos pela classe alta? E os bairros habitados pela classe média? Que programas de TV são preferidos pela classe baixa? Como diferem as classes em termos de roupa, culinária, gostos musicais ou destinos de férias? Estas e outras perguntas são discutidas no livro “Consumos e Classes Sociais em Portugal: auto-retratos” de Raquel Barbosa Ribeiro, resultado da Dissertação de Doutoramento em Ciências Sociais na especialidade de Sociologia, no ISCSP, em 2009. Desde então, o projecto tem evoluído para abarcar o estudo destas temáticas não só em Portugal, mas também nos diferentes países da CPLP. Aborda-se a percepção da igualdade social, as representações do consumo e das classes, os consumos distintivos e as opiniões sobre a mobilidade social nos países da CPLP.

Livros e capítulos de livros

Artigos

Comunicações

  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Soares, Isabel (2015), “New patterns of consumption among Portuguese-speaking African countries”, 12th ESA Conference, 26 de Agosto, Praga, República Checa.
  • Cruz, Vanessa; Ribeiro, Raquel Barbosa (2014), “From premium-chic to premium-cheap. Consumption in group buying & discount sites”, ESA Consumption Research Network Midterm Conference, 4 de Setembro, Universidade do Porto.
  • Nascimento, Petra Santana do; Ribeiro, Raquel Barbosa (2014), “Angolan Consumer”, ESA Consumption Research Network Midterm Conference, 4 de Setembro, Universidade do Porto.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Soares, Isabel (2014), “Spend It As I Tell You, NOT As I Do: Children, Families and Money In Different Socio-Economic Contexts”, XVIII ISA World Congress of Sociology, 19 de Julho, Yokohama, Japão.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), Palestras “1) Social classes revisited and new status; 2) Consumer empowerment and co-creation; 3) Audit in marketing and communication: A Portugal public case”, 2 e 3 de Outubro, Vytautas Magnus University, Kaunas, Lituânia (ao abrigo do protocolo ERASMUS de intercâmbio de docentes).
  • Figueiredo, Filipa Frazão; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “A importância do preço na comunicação das marcas”, 8º Congresso da SOPCOM, 17 a 19 de Outubro, ESCS, Lisboa.
  • Figueiredo, Filipa Frazão; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “O smart-shopper. A importância do preço nas práticas de consumo”, I Encontro Internacional da Secção de Sociologia do Consumo da APS, 6 de Junho, FLUP, Porto.
  • Figueiredo, Filipa Frazão; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “Do premium ao preço: mudança nas práticas de consumo e nas estratégias de comunicação”, Cive Morum 2013 International Congress, 26 de Março, FLUP, Porto.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2012), “Live on, dream on: media, consumo e status”, X Congresso da Lusocom, 28 de Setembro, ISCSP-UTL, Lisboa.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2012), “Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico”, VII Congresso Português de Sociologia, 22 de Junho, Porto.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2012), Palestras “Sociology of Consumption: 1) Social classes revisited and new status; 2) Children as consumers; 3) Is consumer education a concern for sociologists of consumption?”, 2, 3 e 4 de Maio, Universitá degli Studi di Milano, Milão, Itália (ao abrigo do protocolo ERASMUS de intercâmbio de docentes).
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2010), “Consumo e distinção contemporânea: os casos de Lisboa e Leiria”, Fórum “Consumos e Desigualdades” da Secção Classes e Desigualdades da Associação Portuguesa de Sociologia, 15 de Outubro, ISCSP-UTL, Lisboa.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2010), Palestras “Strategic Marketing Opportunities: 1) Social classes revisited and new status; 2) Consumer empowerment; 3) Saving behaviour”, 21 e 22 de Outubro, Arteveldehogeschool, Gent, Bélgica (ao abrigo do protocolo ERASMUS de intercâmbio de docentes).
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2010), “The impact of economic downturn on “distinctive” consumption choices”, ESA Consumption Research Network Interim Meeting, 27 de Agosto, Tartu, Estónia.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2009), “Consumption and contemporary distinction”, 9th ESA Conference, 5 de Setembro, Lisboa.

Organização de eventos científicos   

  • Organização do VIII Congresso Português de Sociologia, em representação da Secção de Classes e Desigualdades da Associação Portuguesa de Sociologia, 14 a 16 de Abril de 2014, Universidade de Évora, Évora.
  • Organização do VII Congresso Português de Sociologia, em representação da Secção de Classes e Desigualdades da Associação Portuguesa de Sociologia, 20 a 23 de Junho de 2012, UP, Porto.
  • Organização do Fórum “Consumos e Desigualdades” da Secção Classes e Desigualdades da APS, 15 de Outubro de 2010, ISCSP-UTL, Lisboa.

Teses de Mestrado: 

 

—————————————————————————————————————

lançamento do livro “CONSUMO E CLASSES SOCIAIS EM PORTUGAL: AUTO-RETRATOS”

Materialistas, com aspirações intelectuais: assim vêem os portugueses o consumo e as classes sociais do seu país

 Consumo e classes sociais dos portugueses abordados em novo livro

A autora aborda a percepção da igualdade social, as representações do consumo e das classes, os consumos distintivos e as opiniões sobre a mobilidade social em Portugal: “a verdade é que, à parte considerações generalistas sobre saldos bancários e formas de vestir e falar, pouco sabemos sobre esta realidade da estratificação social, tal como é vista e vivida pelos seus agentes. Será que o esforço de imitação ostensiva resulta? Em que condições? E isso é suficiente? (Porque é que nas lojas e discotecas ainda se olha para a indumentária como meio de avaliar o poder de compra, se já não há, segundo os sociólogos, sinais seguros de classes ou estilos de vida, por exemplo?)”. Somos um povo descrito como demasiado: demasiado consumista, demasiado ostentatório, demasiado impulsivo e demasiado endividado. A classe média é vista como a mais dinâmica, a mais progressista e a mais empenhada. A classe baixa caracteriza-se sobretudo pelo seu apego à família, pelo seu sentido de poupança e pela sua capacidade de trabalho (mas também é acusada de desleixo e conformismo). Quanto à classe alta, é-lhe atribuída uma grande preocupação com a aparência física e um elevado nível de interesses culturais; a orientação para objectivos a longo prazo também se destaca no seu perfil. Verifica-se que o consumo é um dos critérios mais relevantes para a diferenciação social. No que toca a sonhos de consumo, as férias e as viagens demarcam as classes alta e média da baixa, em primeiro lugar, e o carro e o equipamento tecnológico e doméstico separam as classes baixa e média da alta, em segundo lugar. Numa grande cidade, a educação e o consumo cultural aparecem com maior relevância, enquanto numa zona mais rural, a exibição da riqueza e das marcas são privilegiadas.
O livro é editado pela Causa das Regras e conta com o prefácio de Luís Vicente Baptista, professor catedrático da FCSH-UNL e com depoimentos de conhecidos profissionais de Marketing, Comunicação e Estudos de Mercado. O lançamento da obra terá lugar no próximo dia 21 de Março pelas 19h30, na Livraria Ler Devagar da Lx Factory, em Lisboa. A obra será apresentada por Rosário Mauritti e por Luís Vicente Baptista.

Prefácio ao livro “Consumo e classes sociais em Portugal: auto-retratos”

“(…) Serve este prefácio para salientar a importância do presente trabalho de Raquel Ribeiro. Pioneira na investigação feita em Portugal, país onde ainda são poucas as pesquisas neste domínio, a autora desenvolve uma reflexão original, filiada na forte linha de investigação europeia promovida pela European Sociological Association (RN 5), onde pontuam alguns dos mais relevantes investigadores mundiais.

Neste seu livro, Raquel Ribeiro traz-nos elementos do debate teórico sobre a importância do consumo na perspectiva sociológica, informação relevante sobre o consumo em Portugal e identifica dinâmicas concretas de diferenciação entre os indivíduos com idades compreendidas entre os 19 e os 45 anos que vivem em dois contextos territoriais distintos e oriundos de lugares de classe diferenciadores. Através de auto-retratos dos questionados enquanto consumidores, procura a autora entender o papel do consumo na vida dos portugueses. Estudo marcante no desenvolvimento duma área de investigação que se perfila como central para a compreensão das sociedades do século XXI, o contributo de Raquel Ribeiro é um estímulo para que mais e mais aprofundada pesquisa se faça, para que mais investigadores contribuam para melhor conhecer esse mundo de sonhos que nos guia os quotidianos, para que mais reflexão surja acerca da maravilhosa e tantas vezes amarga aventura de consumir.”
Luís Vicente Baptista, Professor Catedrático de Sociologia da FCSH-UNL

Era uma vez a geração da abundância – entrevista sobre o consumo em Portugal

Jornal de Negócios | Sexta-Feira, 30 de Março de 2012

Entrevista a Raquel Barbosa Ribeiro, ISCSP-UTL, por Lúcia Crespo
Nós, portugueses, passámos de uma situação de extrema pobreza para uma sensação ilusória de abundância, tentámos igualarmo-nos aos nossos “pares”. Sonhos legítimos. Ainda que realizados sempre com um sentimento de culpa, com a sensação de estar a trepar a cadeira para ir ao pote das bolachas… Há muitas décadas que assistimos a uma tendência para uma mobilidade social ascendente das gerações mais novas face às anteriores. Tendencialmente, os filhos viviam melhor que os pais. Agora é o inverso. E isso pode desencadear revolta e frustração, traça a socióloga Raquel Barbosa Ribeiro, na sua tese de doutoramento que envolveu perto de 600 entrevistados, entre os 19 e os 45 anos, das zonas de Lisboa e de Leiria. O trabalho surge agora no livro “Consumo e classes sociais em Portugal: auto-retratos”.

 

O dinheiro traz felicidade? O consumo traz felicidade?

“Em relação ao dinheiro, penso que este é sinónimo de poder. Não me venham com expressões do género “dinheiro não traz felicidade”, porque nos dias de hoje se não vem com ele, pode muito bem comprar-se. O emprego é a fonte de onde o dinheiro, esse essencial de sempre, jorra.”

J., s. feminino, 22 anos, Leiria, estudante de Serviço Social

“(…) eu acho que o consumo no geral e como conceito e como fenómeno é perfeitamente normal e é uma coisa boa, e é uma coisa que permite às pessoas melhorarem o seu nível de vida, tornarem o seu tempo de lazer mais agradável, ou seja, o consumo tem muitos benefícios, só que enquanto os benefícios forem a troco de dívidas e de depois ter de vender o plasma e ficar sem dinheiro e ficar
sem plasma…(…) Acho que sim [o dinheiro traz felicidade]. Pronto, é óbvio que há excepções…o menino rico que sai todas as noites e começa a drogar-se…mas só cocaína, que só causa dependência psicológica…as coisas podem seguir outros caminhos mas tendencialmente sim. É o dinheiro, o dinheiro claro que traz felicidade, claro que traz. Eu: eu quero ter todos os CD´s do mundo.
Quero! Eu quero muito estar a entrevistar os senhores das editoras para eles me darem um CD. Eu merecia! A minha tendência consumista vira-se completamente para a música. Se eu tivesse dinheiro, era uma pessoa feliz, porque ia comprar as coisas todas que quero ter. Claro que aquilo a que as
pessoas almejam…tem um preço (…) O que as pessoas querem hoje é comprável. Eu penso que quase tudo o que quero é comprável.”
F., s. masculino, 22 anos, Lisboa, recém-Lic. Comunicação Social

“Creio que existe uma noção diferente de felicidade para cada classe social, no entanto, aquilo que se verifica é que a riqueza muitas vezes não é sinónimo de felicidade, antes pelo contrário, por vezes aqueles que têm mais dinheiro são pessoas que vivem em stress constante e têm níveis de ansiedade enormes pois querem sempre mais e não se conseguem contentar com o que possuem.
As classes mais baixas, vêem a riqueza mais como uma forma de aumentar a sua subsistência e para não passar dificuldades. A classe média quer aproximar-se dos padrões de consumo da classe alta, por isso muitas vezes comete o erro de colocar de parte os seus valores e passam a fazer praticamente quase tudo (ex: corrupção) para alcançar mais poder de compra e prestígio social.”
A., s. feminino, 27 anos, Lisboa, Marketeer, Lic. Marketing

Mais opiniões em “Consumo e classes sociais em Portugal: auto-retratos” de Raquel Barbosa Ribeiro.

A percepção da igualdade varia com as classes: Lisboa vs. Leiria

A igualdade percebida varia com a classe social em que os indivíduos se autoposicionam. A percepção da igualdade de direitos e oportunidades aumenta em sintonia com o nível da classe autoatribuída – quem se julga das classes mais altas é tendencialmente mais optimista quanto à forma de encarar a igualdade do que quem se vê nas classes mais baixas, em Lisboa como em Leiria.

Texto completo em “Consumo e classes sociais em Portugal: auto-retratos” de Raquel Barbosa Ribeiro.

O dia-a-dia da classe alta

De manhã: toma sempre banho; toma um bom pequeno-almoço, com calma; lê 

bons jornais. Anda sempre de carro. Põe os filhos em colégios de elite. Tem

quem tome conta das crianças e as leve à escola. Tem empregada e ama para os 

filhos. Tem quem lhe faça tudo o que precisa. Faz quase sempre as suas

refeições fora (a menos que tenha compromissos muito urgentes ou uma agenda 

muito cheia e almoce, nesse caso, uma sandes à pressa, sentado à secretária). Tem habitualmente muitos (e longos) almoços de negócios. A hora de saída do

emprego depende da sua atitude face ao trabalho: se for muito responsável e 

preocupado, tende a sair muito tarde, restando-lhe pouco livre para estar com a

família; se for mais displicente, sai a meio da tarde ou já não regressa após o 

almoço. Ao fim do dia, pode ir ao ginásio e fazer jacuzzi. Faz por jantar sempre

com a família. À noite, convive com pessoas da sua classe. Pode ficar em casa a 

ler, a conversar com a família ou a navegar na Internet. Eventualmente vai ao

casino, ao teatro, ao cinema ou a exposições. Deita-se a partir das 24h00.

Ao fim-de-semana…

Conheça o quotidiano completo em “Consumo e classes sociais em Portugal: auto-retratos” de Raquel Barbosa Ribeiro.

Sonhos de consumo das classes sociais – férias E VIAGENS

“Todos os verões há a pressão dos amigos e conhecidos: “então onde serão este ano as férias?” Lá fora é outra coisa; se optarmos por Portugal sentimo-nos como falhados e com necessidade de nos justificarmos com um argumento razoável, mesmo que não o verdadeiro. Admito que quando passo 

por uma pessoa num carro de luxo, observo o condutor para tentar perceber de que forma são diferentes de pessoas como eu. Questiono-me: como seria viver assim? O que teriam feito para o merecer? Como será que se sentem atraindo as atenções? Frequentar determinados restaurantes, comprar em determinadas lojas, determinadas marcas, são aspectos que dão prestígio social, indica

que se tem poder económico, pressupõe -se que mereceu o que ganhou e isso significa que se tem capacidades superiores aos demais como a liderança, a gestão, jeito para os negócios. (…) Outra forma que na aldeia (pelo menos na minha zona) se usa como afirmação social é a casa. Esta, a par do carro, têm sido nos últimos anos, a forma privilegiada de afirmação social, é fácil exibi-los (mesmo que à custa de endividamento). Aqui na zona as casas novas são autênticos palacetes, ninguém quer ficar atrás, parece que há competição. Também sentimos essa pressão porque segundo os padrões actuais a nossa casa está desactualizada, embora eu a considere muito grande porque dá muito 

trabalho, mas é muito confortável.”

I., s. feminino, 41 anos, Leiria, Auxiliar de acção educativa

Conheça mais opiniões em “Consumo e classes sociais em Portugal: auto-retratos” de Raquel Barbosa Ribeiro.

Como eram as classes sociais em Portugal antigamente?

“No tempo dos meus pais era mais evidente a diferença dos vários estratos sociais, a partir do ponto em que existiam “menos” classes sociais, pois a classe social mais baixa era a grande maioria, e quase toda ela com muito poucas diferenças entre si. Naquele tempo, possuir um automóvel era só por si um diferenciador social, ter os filhos na escola durante alguns anos ou outras coisas que agora temos como adquiridas e normais, era a imagem de uma classe social superior. Nos dias de hoje, apesar de haver mais aspectos diferenciadores, eles são dentro do mesmo grupo de bens. Um carro já não está ao alcance das classes sociais superiores, mas de quase todas, a diferença é o tipo de carro, tal como fazer férias, não é o ir de férias, é a diferença dos sítios para onde se vai, 

facilmente visível nas viagens de avião, que actualmente estão ao alcance de muitas pessoas, quando anteriormente só as pessoas com elevada disponibilidade financeira as podiam fazer, a diferença hoje, é para onde se voa.”

C., s. masculino, 28 anos, Lisboa, Programador Informático

Veja esta e outras entrevistas em “Consumo e classes sociais em Portugal: auto-retratos” de Raquel Barbosa Ribeiro.

O consumo em Portugal, por Rui Ventura (APPM)

Exerto do livro “Consumo e classes sociais em Portugal: auto-retratos” de Raquel Barbosa Ribeiro.

As temáticas do Consumo e da distinção social contemporânea em Portugal vivem hoje num profundo paradoxo. Por um lado, vivemos numa sociedade imediata. Imediata na forma como nos relacionamos e como manuseamos a informação, imediata na forma como encaramos e abordamos a temática do consumo, imediata na forma como socializamos (redes globais de networkingdigital). Por outro lado, sabemos que existem na sociedade portuguesa tradições enraizadas de classismo, de nepotismo e de estatuto social que por sua vez estão profundamente ligadas ao poder pecuniário, à educação e à profissão. Nas elites dominantes clássicas encontramos sempre estes vectores como traços dominantes: Educação, Tradição (família) e Dinheiro (poder); no entanto e devido a esta imediatez da sociedade global, que corresponde a um estado de maior liberdade, maior amplitude de direitos e de meritocracia, assistimos hoje ao surgimento de novas elites onde os vectores dominantes são: a educação, a vontade, a profissão e numa fase posterior o dinheiro. Estas novas elites são os principais motores de mudança da sociedade portuguesa. Pela sua capacidade de adaptação e inovação, pela sua capacidade de empreendedorismo, pela sua vontade de “shifting” de mentalidades e do status quo. O paradoxo existe e exige que as elites clássicas se modernizem e percebam que o Mundo mudou. Ou seja, passámos de uma sociedade em que “colocávamos mensagens em garrafas”, para uma sociedade em que “colocamos garrafas em mensagens”. Ou seja, os meios e a tecnologia mudaram, aceleraram-se e tornaram o mundo plano e hoje o poder da informação, o acesso ao conhecimento e a meritocracia vão ganhar, mais cedo ou mais tarde esta luta silenciosa de classes”.

Rui Ventura, actual presidente da APPM – Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing 

A evolução dos consumos domésticos em Portugal (1967-2012)

Dimensão analítica: Condições e Estilos de Vida
Título do artigo: A evolução dos consumos domésticos em Portugal (1967-2012)
Autor/a: Mónica Truninger e José Gomes Ferreira
Filiação institucional: Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa
Palavras-chave: consumo, evolução, alimentação, transportes, habitação.

A mudança para o regime político democrático nos anos 70 e a entrada na Comunidade Europeia nos anos 80, possibilitou aos portugueses sonharem mais alto, e tentarem reproduzir os padrões de consumo das sociedades europeias mais avançadas. A abertura ao exterior e os fluxos migratórios dinamizaram estas expectativas de consumo, criando aspirações em torno do consumidor moderno, cosmopolita e hedonista (por contraste às privações, pobreza e escassez do “país rural” do passado). Melhores condições de vida, aliadas à construção do Estado Social (mesmo que fraco), alargaram o acesso dos portugueses a bens e serviços cuja oferta também se generalizou (e.g. centros comerciais).

Os mecanismos de crédito ao consumo ganham fôlego sobretudo a partir da década de 90. Se inicialmente foram importantes para possibilitar o aumento dos níveis de conforto das famílias (ter casa, carro, tecnologias e férias no estrangeiro), mais tarde tiveram efeitos perversos no seu crescente endividamento. Tal como concluído por Cruz (1) e Ribeiro (2), as classes sociais continuam a fazer sentido para explicar os perfis de consumidores. Os grupos socioeconómicos mais elevados sempre tiveram acesso privilegiado a bens e serviços. Contudo, assistimos nas décadas mais recentes a alguma diluição das diferenças de classe através da democratização do acesso ao consumo. Outros marcadores entram em ação tais como o género, a idade, as redes de sociabilidade e os fluxos migratórios.

Analisando estas transformações por domínios de consumo, através dos Inquéritos às Despesas das Famílias recolhidos pelo INE desde 1967, verifica-se que as despesas com a alimentação têm vindo a cair ao longo do tempo (de quase metade do orçamento das famílias em 1967/68 para cerca de 13% em 2010/11). Note-se também que, ao longo deste período, o retalho alimentar tem sofrido grandes mudanças. Se nos anos 60 a mercearia de bairro era o sítio privilegiado para as compras, a partir dos anos 80 os supermercados, e depois os hipermercados, entram nas rotinas de compras dos portugueses.

É de notar que o peso das despesas de alimentação é inversamente proporcional aos rendimentos das famílias. Quanto mais desafogadas economicamente estas se encontram, menos gastam nesta rubrica. Isto deve-se à variedade da oferta, aos preços mais competitivos no mercado, e à diversificação das despesas distribuídas por outras rubricas. Porém, há alguns contrastes a assinalar. As famílias com maiores rendimentos e mais qualificadas têm um acesso mais privilegiado a alimentos como a carne, o leite e seus derivados, e a fruta. Pelo contrário, o peso da alimentação é maior nos orçamentos das famílias menos qualificadas, menos instruídas e com menores rendimentos. Como já assinalara Cruz [1] e Ribeiro [2], verifica-se que estas desigualdades têm vindo a ser atenuadas, pelo menos até 2005/2006, indicando que a alimentação já não é um marcador de distinção social tão acentuado.

As despesas com a habitação seguem uma tendência contrária às da alimentação, já que sofrem um aumento de 14% na década de 60 para 27% na década de 2000. Os custos com a casa tornam-se na categoria com maior peso nos orçamentos familiares a partir de 2000 (ver [1]), superando todas as outras rubricas, sendo esta uma mudança estrutural nos consumos dos portugueses nos últimos 50 anos. Isto deve-se ao peso das rendas, dos empréstimos para a casa (facilitados com o crédito à habitação), e à utilização frequente de equipamentos e tecnologias de alto consumo energético para satisfazer os novos padrões de conforto (ar condicionado, aquecimento central, tecnologias e gadgets eletrónicos).

No que concerne às despesas com transportes e comunicações, estas aumentaram de 5% na década de 60 para 16% na década de 2000. Na década de 90, o carro tornou-se numa extensão móvel do corpo dos portugueses, símbolo de autonomia, distinção social e bem-estar – o seu uso foi incentivado, entre outros fatores, pela construção de vias de comunicação, estratégias aguerridas de marketing e publicidade, construção de novos bairros periféricos e abandono dos centros habitacionais. Já nos anos 2000, e até mesmo durante a atual crise, as telecomunicações (internet, telemóvel, pacotes TV cabo) são um importante símbolo de distinção social (nomeadamente entre os jovens), e fazem parte das estratégias de integração social dos seus utilizadores, sobretudo os idosos e as famílias com baixos rendimentos e menos qualificadas. Ou seja, à semelhança do carro nos anos 90, o telemóvel e a internet tornam-se numa extensão do corpo dos portugueses nos anos 2000.

Em relação às despesas com os Lazeres e Cultura (onde se inclui a instrução, hotelaria e restauração) estas subiram ao longo dos anos (de 5% na década de 60 para 18% na década de 2000). Se nas décadas de 60 e 70 eram realizadas sobretudo pelos grupos socioeconómicos mais favorecidos, a partir dos anos 80, com a consolidação da sociedade de consumo, os lazeres e a cultura massificam-se, expressando uma diversidade de estilos de vida. Na situação atual de crise, esta é uma das primeiras rubricas a ser cortada pelas famílias na gestão orçamental quando se compara com a alimentação, a habitação e os transportes/comunicações. Uma possível tendência provocada pela crise é a redução da centralidade dos espaços públicos, remetendo a família à esfera doméstica, sobretudo em relação à alimentação (faz-se o McDonalds caseiro [3]).

Os portugueses parecem estar a reagir à crise através de contínuos ajustamentos criativos no seu quotidiano, adotando nas práticas de consumo o conhecido “desenrascanço”, mas sem mudarem fundamentalmente a sua relação ontológica com o consumo. Antes, reconfiguram as suas práticas de forma criativa. Isto acontece porque consumir é comunicar, é expressar a nossa identidade, é bem-estar, é prazer e é, também, cidadania. Esta relação fundamental com o consumo parece não se alterar, mesmo na atual conjuntura de crise.

Notas

[1] Cruz, Isabel (2009), Entre estruturas e agentes: padrões e práticas de consumo em Portugal Continental, Tese de Doutoramento, Porto: Universidade do Porto.

[2] Ribeiro, Raquel, Consumo e Classes Sociais em Portugal: auto-retratos, Lisboa: Causa da Regras.

[3] Truninger, Monica e José G. Ferreira (2012), Quem casa quer casa: evolução dos consumos domésticos (1967-2012), Conferencia ICS 2012, 27 de Novembro, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

Processos de reconfiguração de estilos de vida: a classe média em perspetiva

Dimensão analítica: Condições e Estilos de Vida
Título do artigo: Processos de reconfiguração de estilos de vida: a classe média em perspetiva
Autora: Rosário Mauritti, ISCTE-IUL, CIES-IUL
Palavras-chave: retraimento social e económico; rendimentos.

Apresento em primeira mão alguns resultados preliminares do “Inquérito (online) aos rendimentos e consumos das famílias de classe média em Portugal”, promovido pelo CIES-IUL nas semanas de 16 de Outubro a 13 de Novembro de 2012. “Pensar o futuro e encontrar novas perspetivas para a promoção sustentada do bem-estar e qualidade de vida”, foi com este mote que dirigimos um convite «fechado» [1] a, sensivelmente, 2500 portugueses, cujos emails nos foram facultados num processo de passa-palavra entre colegas, amigos e amigos de amigos de diversas regiões do país – na sua maioria, trabalhadores em organismos da administração publica e no sector privado, inseridos em diferentes áreas de atividade económica, especialmente, dirigentes, profissionais intelectuais e científicos e quadros técnicos e superiores -, dos quais perto de 40% acederam em participar. No inquérito são disponibilizados os seguintes conteúdos:

  1. Caracterização das condições económicas e perfis de rendimentos, incluindo elementos sobre situação de endividamento e comportamentos de poupança;
  2. Redes sociais e recursos privados para fazer face a encargos financeiros não previstos;
  3. Evolução dos consumos nos últimos 12 meses por categorias de produtos e serviços;
  4. Estratégias de adaptação num cenário de incerteza e diminuição da capacidade de consumo, associadas a preferências de marca/serviço e custos;
  5. Perceções sobre bem-estar e qualidade de vida e posicionamentos em relação a ao futuro
  6. Elementos de caracterização sociodemográfica e socioprofissional.

Nesta primeira análise dos resultados, vou dar ênfase, sobretudo, a alguns dos traços que marcam o conjunto aqui em referência, em termos dos seus perfis sociodemográficos e socioprofissionais, articulando estes elementos com apreciações que desenvolvem, na referência aos últimos 12 meses, sobre “a evolução de rendimentos (líquidos) disponíveis no agregado para fazer face a despesas pessoais e familiares” e, no caso dos que percecionam a deterioração da situação, a análise dos “principais  motivos dessa alteração nos rendimentos disponíveis”. O nosso universo de referência: 2/3 são mulheres, nas faixas etárias intermédias dos 35 a 54 anos, inseridas em famílias alargadas com três e mais pessoas e com filhos com idades compreendidas entre zero e 16 anos. Os seus perfis qualificacionais são francamente melhorados na comparação com a população portuguesa como um todo (85% têm pelo menos o grau de licenciatura). A larga maioria exerce uma atividade profissional a tempo integral (81%) que se consubstancia de forma muito incidente, tal como a análise dos posicionamentos sociais de classe operacionalizada na referência ao indicador socioprofissional nos permite observar, numa inserção nos segmentos dos profissionais técnicos e de enquadramento (PTE) [2] – aqui internamente diferenciados nos agrupamentos dos “profissionais, intelectuais e científicos” e dos “quadros técnicos e de enquadramento” (respetivamente com representações que envolvem cerca de 38% e 31% do conjunto), e nos posicionamentos de topo na hierarquia social, dos empresários e dirigentes (11%) e dos profissionais liberais (5%).

Figura 1 – Perfis socioeducacionais e socioprofissionais

Nota: n=1001.

Fonte: CIES-IUL (2012), IRC – Inquérito aos Rendimentos e Consumos.

Nas respostas à pergunta: “No geral, como avalia a situação presente do seu agregado familiar relativamente aos rendimentos disponíveis para fazer face às despesas e encargos mensais?” Como seria de esperar, destaca-se o peso, muito expressivo, de inquiridos que concretizam condições “razoáveis” (46%) na comparação com os demais portugueses, “vivendo com algum conforto e qualidade de vida, e tendo alguma margem para consumos suplementares”. Mas assumem também expressão muito significativa sectores que manifestam viver “no limite, por vezes com maiores dificuldades no final do mês” (42%), manifestando também algum relevo – especialmente tendo em conta o perfil referido atrás – os agregados familiares que assumem viver hoje em condições de rendimentos insuficientes ou muito insuficientes (6%). Estas apreciações que denotam o agravamento das condições de vida são ainda reforçadas na avaliação sobre a “evolução de rendimentos (líquidos) disponíveis no agregado para fazer face a despesas pessoais e familiares”, nos últimos 12 meses. No total, sensivelmente 85% percecionam uma pioria moderada (44%) ou muito expressiva (41%) das suas condições de rendimento. No leque de fatores assinalados na figura 2 como motivos principais da contração dos rendimentos disponíveis emergem categorias que denunciam como causa as políticas de combate ao défice, consubstanciadas no aumento de impostos e contribuições sociais e também no incremento do custo de vida (nomeadamente por via da atualização das taxas de IVA e do consequente aumento generalizado de produtos de alimentação básica e da energia e combustíveis). A estes acumulam-se ainda “a perda de benefícios sociais” e a “diminuição do salário ou rendimentos”, muito transversal no setor privado (por via de redução de benefícios adjacentes à remuneração, como o carro de empresa, o telemóvel ou a internet e os prémios anuais). O “desemprego do próprio ou de um familiar” ou a “quebra de vendas/prestações de serviços” são experiências que adquirem igualmente enorme relevo e acentuam a dimensão mais estrutural das mudanças em curso.

Figura 2 – Principais motivos para a alteração nos rendimentos disponíveis

Nota: n=853, correspondente a 85,5% dos que denotam uma pioria das condições de vida; categorias de resposta múltipla).

Fonte: CIES-IUL (2012), IRCIF – Inquérito aos Rendimentos e Consumos dos Indivíduos e Famílias

Nas circunstâncias presentes estas famílias posicionadas no topo da “classe média” tendo em conta os seus perfis de qualificação e condições de adaptabilidade melhorados no contexto da sociedade portuguesa atual; embora não configurando ainda, senão num segmento minoritário, características de intensificação extrema de privação material, viram pois os seus quotidianos alterados pela contração económica e pelo ambiente de incerteza social que se instalou. Só para acrescentar mais um indicador: perto de 50% confirma que pelo menos uma vez no último ano (37% em várias ocasiões) teve dificuldades em pagar despesas correntes. Este é também o segmento que mais beneficiou no período anterior, de grande expansão do crédito aos particulares em Portugal, da melhoria das condições de vida através do acesso facilitado à habitação própria e a determinados bens de consumo, e que, como tal, hoje, está particularmente permeável ao risco de insolvência ou sobre-endividamento. Os dados recolhidos indicam que pouco mais de 3/4 contraiu pelo menos um empréstimo que está pagar atualmente. E apesar de manifestarem alguma capacidade de poupança (60% recorria a poupanças para fazer frente a uma despesa inesperada de 1500 euros), mais de 1/4 manifesta que presentemente deixou de ter condições ou só faz poupanças raramente (não todos os anos). Nas suas orientações e preferências de consumo – cuja análise nos demoraremos num próximo artigo – estes indivíduos e famílias assinalam alterações nos comportamentos que parecem denotar uma reconfiguração profunda da própria conceção de bem-estar e qualidade de vida. Em face da contração e instabilidade, vêm-se obrigados a fazer escolhas e sacrifícios no momento de decidir a gestão do dinheiro disponível, perspetivando-se um retraimento transversal e a necessária reconfiguração dos limiares entre «consumos básicos ou essenciais», «consumos alargados» e mesmo os chamados “consumos sustentáveis”, que consubstanciam uma aliança estreita entre boas práticas ambientais e qualidade de vida. Em que medida é que mesmo este segmento dominantemente de topo da classe média em Portugal está a conseguir desenvolver estratégias de adaptação na gestão de rendimentos disponíveis e das despesas que realiza para assegurar de forma sustentada os seus estilos de vida? Será possível definir padrões de comportamento que configuram oportunidades de melhoria em vetores estruturantes para a manutenção do seu bem-estar e qualidade de vida? Que sociedade se desenha nestas mutações em curso?

Ficam as questões para responder noutra ocasião.tas:

[1] «Fechado» no sentido em que o acesso e preenchimento online do questionário teve como requisito prévio a receção de um email com convite à participação e senha para login. As respostas uma vez submetidas foram transferidas de forma automática para uma base de dados autónoma, extraída em formato SPSS, garantindo desta forma a anonimização dos dados.

[2] Categoria referente à tipologia de classes sociais, consagrada nomeadamente em Costa (2008 [1999]), Sociedade de Bairro: Dinâmicas Sociais da Identidade Cultural, Oeiras, Celta.

Consumo e poupança das crianças: diferenças por classe social

Comunicação no VII Congresso Português de Sociologia

Autora: Raquel Barbosa Ribeiro, ISCSP-UTL

22/06/2012, Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Neste artigo, explora-se a importância do contexto socioeconómico para as práticas de consumo e poupança das crianças. O estudo das desigualdades e do consumo tem prestado pouca atenção à infância e à educação para o consumo. Esta investigação tem por objectivo comparar as representações e os comportamentos de crianças, pais e encarregados de educação de estratos sociais diferentes, identificando oportunidades educativas que promovam a literacia financeira e a inclusão social. Para tal, recorre-se a uma pesquisa quali-quantitativa centrada em 245 crianças das escolas básicas da Penha de França, em Lisboa, e dos Salesianos do Estoril. Os resultados apontam para diferenças relevantes por escola e contexto socioeconómico dos agregados, levando-nos a reflectir sobre os contributos de Goldthorpe e Lockwood, por exemplo, acerca da mentalidade das classes no que toca ao gasto, ao investimento, ao planeamento do futuro e ao adiamento da gratificação.

This article explores the importance of socio-economic context for the practices of consumption and saving by children. The study of inequalities and consumption has paid little attention to children and consumer education. This research aims to compare the representations and behaviors of children, parents and carers of different social strata, identifying educational opportunities that promote financial literacy and social inclusion. To this end, we resort to a qualitative and quantitative research focused on 245 children from primary schools of Penha de França, in Lisbon and Salesianos in Estoril. The findings indicate significant differences by school and socio-economic aggregates, leading us to reflect on the contributions of Goldthorpe and Lockwood, for example, about the mindset of the class when it comes to spending, investing, planning for the future and delaying gratification.

Artigo completo: http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt

Consumo cultural dos portugueses

Portugueses pouco adeptos de saídas culturais, 2 de Novembro de 2012 por Hipersuper

Os portugueses estão entre os consumidores da Europa Ocidental que menos vão ao cinema, teatro, museus, entre outros programas culturais. Apenas 20% dos inquiridos em Portugal revela que o faz pelo menos uma vez por mês, comparativamente com a média dos europeus ocidentais (28,8%). Um total de 23% afirma que o faz uma vez em cada seis em seis meses, quando a média europeia se situa nos 31%, conclui o Barómetro Europeu do Observador Cetelem. A análise do Observador procurou ainda saber com que frequência vão os europeus ao restaurante. Em Portugal, mais de metade dos inquiridos revelou que o faz com frequência, sendo que 43% costuma comer fora pelo menos uma vez por mês e 17% fá-lo pelo menos uma vez em cada seis meses. Neste item, os franceses são os que mais fazem refeições fora de casa, 79% afirma que tem por hábito sair para comer. “Com o advento da sociedade moderna surgiu também a cultura das actividades de ócio e evasão, sobretudo junto das classes médias. A maioria das pessoas que pertence a esta classe é oriunda da classe baixa, que durante anos passou por duras restrições. Agora, pode finalmente pagar o “luxo” de viajar, ir a restaurantes, fazer programas culturais, distracções que as suas gerações anteriores não tinham acesso. Aliás, ter acesso a este tipo de actividade é sinónimo de pertença à classe média. No entanto, pela análise que o Observador Cetelem desenvolveu, acreditamos que num futuro próximo, as consequências da crise económica que atravessamos, independentemente da sua gravidade, alterem estes comportamentos/tendências num sentido de retrocesso”, afirma Diogo Lopes Pereira, director de Marketing do Cetelem.

Portugueses são fãs do cartão de crédito

HiperSuper, Victor Jorge, 17 de Novembro de 2009

cartao.jpg

Segundo o Barómetro MasterCard sobre Comportamento Financeiro de Particulares em Portugal, em Portugal a penetração dos cartões de débito e a sua utilização em 2009 cresceram comparativamente ao ano anterior. Em 2009, 84,8% de todos os portugueses com idade superior a 15 anos possuem um cartão de débito, um número maior do que os 83,7% registados em 2008. Este estudo anual sobre penetração e hábitos de utilização de cartões de débito e crédito, comissionado pela MasterCard e realizado pela Inmark, revela ainda que, em 2009, “um ano marcado pela difícil situação económica a nível global também sentida em Portugal, a utilização de cartões de débito registou uma subida”. De facto, 96,3% de todos os portugueses inquiridos admitem usar com frequência os seus cartões, contra os 96,1% de 2008. Apesar de mais pessoas terem cartões de débito e de os usarem com mais frequência, “parece registar-se um fenómeno de concentração”, salienta o estudo, já que mais pessoas (65,2%) declaram possuir apenas um cartão (contra os 64,7% de 2008), enquanto 34,7% possuem dois ou mais. Em média, os inquiridos que possuem um cartão de débito têm 1,46 cartões (comparando com os 1,47 em 2008). Este número é maior entre os homens, indivíduos com idades compreendidas entre os 25 e os 44 anos, que pertencem às classes média-alta e média e que residem no Grande Porto, na Grande Lisboa e no Litoral Centro. A percentagem de pessoas que usam os seus cartões de débito para compras em diferentes estabelecimentos comerciais cresceu, especialmente as compras diárias em hiper e supermercados, que cresceram de 79,3% em 2008 para 84,2% em 2009. As pessoas também utilizam estes cartões para aquisição de vestuário e acessórios (os números cresceram de 67,7% para 69,2%) e para os pagamentos de combustíveis (56,4% em 2008 e 59,8% em 2009). Paulo Raposo, Country Manager da MasterCard Europe em Portugal, refere que “os consumidores portugueses provaram ser altamente responsáveis e financeiramente conscientes. Numa altura delicada em termos da actual situação financeira, os particulares revelaram como conseguiram automaticamente ajustar os seus hábitos ao actual contexto económico, não querendo gastar acima dos seus rendimentos. É também interessante verificar como aumentou a utilização dos cartões de débito, indicando claramente uma transição do dinheiro para os pagamentos electrónicos, revelando como os consumidores portugueses confiam nos seus cartões como forma de melhor controlarem as suas despesas familiares e profissionais”. Já quanto aos cartões de crédito, parece que os portugueses preferem focar as suas despesas num cartão apenas, já que 70,6% de todos os detentores de cartões de crédito apenas têm um cartão, comparando com os 28,6% que possuem dois ou mais cartões. Os detentores de cartões de crédito possuem, em média, 1,41 (1,47 em 2008) cartões. O número de cartões de crédito é ligeiramente o mesmo que no ano anterior, apenas com uma pequena queda, já que 30,7% de todos os inquiridos afirmam possuir um cartão de crédito, contra os 33,6% registados em 2008. A penetração destes cartões é, por sua vez, maior entre os homens, indivíduos com idades compreendidas entre os 35 e os 44 anos, que pertencem às classes média-alta e alta da hierarquia sócio-económica e pessoas que residem no Grande Porto. Em termos de utilização destes cartões, esta também tem sido mais moderada, uma vez que 62,8% dos detentores de cartões de crédito declararam utilizá-los regularmente comparando com os 74,7% do ano anterior. Contudo, aqueles que os utilizam regularmente usam-nos com maior frequência do que em 2008, já que em média os utilizadores de cartões de crédito utilizam o seu cartão 3,06 vezes por mês (2,88 em 2008). Os cartões de crédito são utilizados principalmente para as compras habituais de bens de consumo diário (51,1%) e bens de consumo esporádicos tais como roupas, calçado e joalharia (43,1%). As transacções que mais aumentaram relativamente ao ano anterior são outros pagamentos e os pagamentos de transporte e portagens (um aumento de 7,6 e 2,3 pontos percentuais, respectivamente). Em contraste, os pagamentos em restaurantes e hotéis são as transacções que mais decresceram, juntamente com o pagamento de férias/viagens (um decréscimo de 5,4 e 3,3 pontos percentuais, respectivamente).

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s