Consumo sustentável, poupança e literacia financeira

Título do Projeto
Consumo sustentável, Poupança e Literacia Financeira

Data de início e de término do Projeto
2011 – Até ao presente

Investigadora responsável
Professora Doutora Raquel Barbosa Ribeiro, ISCSP-ULisboa

Instituição Proponente:
Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP)

Site do projecto:
https://marketingiscsp.wordpress.com/poupanca-e-literacia-financeira/

Resumo do Projecto
Em contexto de mudança social, o consumo sustentável merece uma atenção crescente, interessando compreender como é desenvolvido desde a infância. Participando, com grande influência, no processo de socialização, as organizações públicas e privadas desenvolvem esforços crescentes de comunicação dirigida a crianças, cujas consequências importará discutir. Embora a questão ambiental tenha vindo a ser central no entendimento do consumo sustentável, o debate sobre níveis disfuncionais de gasto, dívida e incumprimento financeiro, com consequências complexas e amplas para as sociedades e os Estados, remete para a importância do consumo financeiramente sustentável: “a tentativa de manter gastos controlados, garantir a poupança e evitar o incumprimento financeiro” ( Ribeiro et al., 2013). Acredita-se que o consumo financeiramente sustentável é suportado pela literacia financeira e pela competência (capability) financeira. Nota-se o crescimento de iniciativas de educação para o consumo, de literacia financeira e de inovações sociais, que têm como objectivo fomentar o equilíbrio financeiro dos particulares e especialmente a poupança. Contudo, grande parte da população continua pouco informada para fazer escolhas financeiras ou avaliar produtos financeiros complexos e, até à data, há muito pouca evidência rigorosa sobre o impacto da educação financeira.

Este projecto tem como objectivos:

  1. Compreender como são formadas as representações do consumo financeiramente sustentável e da poupança pelos consumidores.
  2. Estudar a influência mediática no consumo financeiramente sustentável e na poupança.
  3. Inventariar e caracterizar os programas de educação para o consumo públicos e privados em Portugal.
  4. Comparar os programas de educação para o consumo nacionais e estrangeiros.
  5. Fazer o enquadramento legal da educação para o consumo em Portugal e no estrangeiro.
  6. Avaliar os programas de educação para o consumo.

Abstract
In a context of social change, sustainable consumption and its development since childhood deserve an increasing attention from scholars. Public and private organizations strongly participate in the socialization processes and develop increasing communication efforts aimed at children; the consequences of such actions should be discussed.
Although environmental issues have been central to the understanding of sustainable consumption, the debate about dysfunctional levels of spending, debt and financial failure, with complex and far-reaching consequences for societies and states, highlights to the importance of financially sustainable consumption: “the effort of trying to keep costs controlled , secure savings and avoid financial failure” ( Ribeiro et al., 2013). It is believed that financially sustainable consumption is supported by financial literacy and financial competence (or capability). The growth of initiatives for promoting consumer education and financial literacy and social innovations that aim to promote the financial stability of individuals, especially their savings, is noticed. However, much of the population remains poorly informed on financial choices and is still unable to make or evaluate complex financial products; to date, there is very little rigorous evidence on the impact of financial education.

This project aims to:

  1. Understand how representations of financially sustainable consumption and savings are formed by consumers.
  2. Studying media influence on financially sustainable consumption and savings.
  3. Identify and characterize the public and private programs of education for consumption in Portugal.
  4. Compare national and international programs of education for consumption.
  5. Identify the legal framework for consumer education in Portugal and abroad.
  6. Evaluate programs of consumer education.

Produção científica

Livros e capítulos de livros

  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Quintino, Diana; Romano, Guilherme (2014), “Programas de educação para o consumo em Portugal: análise e reflexões críticas”, in Hernâni Veloso Neto e Sandra Lima Coelho (Eds), Responsabilidade Social, Respeito e Ética na Vida em Sociedade, Coleção Cive Morum, Vila do Conde, Civeri Publishing, pp. 323-344. ISBN 978-989-97762-7-2. Disponível em http://civemorum.com.pt/PT/edicao.php.
  • Figueiredo, Filipa Frazão; Ribeiro, Raquel Barbosa (2014), “Mudança nas práticas de consumo e nas estratégias de comunicação: frugalidade, preços e descontos”, in Hernâni Veloso Neto e Sandra Lima Coelho (Eds), Responsabilidade Social, Respeito e Ética na Vida em Sociedade, Coleção Cive Morum, Vila do Conde, Civeri Publishing, pp. 300-322. ISBN 978-989-97762-7-2. Disponível em http://civemorum.com.pt/PT/edicao.php.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Lourenço, Joana (2013), “A comunicação para a responsabilidade. Análise de campanhas de responsabilidade financeira, ambiental e social dirigidas às crianças”, in Hernâni Veloso Neto e Sandra Lima Coelho (Eds), Proceedings Cive Morum 2013 International Congress. Vila do Conde: Civeri Publishing, pp. 13-17. ISBN: 978-989-97762-4-1. Ver também: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/12237.pdf.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Quintino, Diana (2013), “A educação para o consumo em Portugal: uma análise crítica de programas públicos e privados”, in Hernâni Veloso Neto e Sandra Lima Coelho (Eds), Proceedings Cive Morum 2013 International Congress. Vila do Conde: Civeri Publishing, pp. 147-150. ISBN: 978-989-97762-4-1.
  • Figueiredo, Filipa Frazão; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “Do premium ao preço: mudança nas práticas de consumo e nas estratégias de comunicação”, in Hernâni Veloso Neto e Sandra Lima Coelho (Eds), Proceedings Cive Morum 2013 International Congress. Vila do Conde: Civeri Publishing, pp. 167-173. ISBN: 978-989-97762-4-1.

Artigos 

  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Soares, Isabel (2016), “Insights and directions for sociological approaches to saving: The case of a Financial Education Programme for children in Portugal“, Journal of Consumer Culture. Published 2 March 2016, Published 2 March 2016, 10.1177/1469540516634411. VENCEDOR DO PRÉMIO ISCSP-INVESTIGAÇÃO (CATEGORIA “INVESTIGADORES DO CAPP”) E MENÇÃO HONROSA DO PRÉMIO DE MÉRITO FUNDAÇÃO D. PEDRO IV, EM 2017.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Alves, Sofia Branquinho; Alves, Tânia (2014), “Tendências de consumo: Recommerce e DYI”, in Atas do VIII Congresso Português de Sociologia (aprovado para publicação).
  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Lourenço, Joana (2013), “Valores e comunicação para a responsabilidade. Análise de campanhas dirigidas a crianças”, Sociologia, Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Número temático: Lógicas de desenvolvimento social inclusivo e sustentável, 61-84. Disponível em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/12237.pdf.
  • Foa´, Caterina; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “Responsabilidade social e integração através da música. Estudos de caso em Itália e Portugal.”, Sociologia, Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Número temático: Lógicas de desenvolvimento social inclusivo e sustentável, 109-132. Disponível em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/12239.pdf.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Susana Albuquerque, Jaime Raúl Seixas Fonseca, Carlos Bicho Pires e Diana Rodrigues Quintino (2013), “A procura do consumo financeiramente sustentável. Socialização e representações sociais do consumo, crédito e poupança.”, Revista Crítica de Ciências Sociais, 101, 65-88. Disponível em http://rccs.revues.org/5363.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “Crianças, consumo e poupança: um estudo em duas escolas primárias”, Observatório Português da Juventude. Disponível em http://www.opj.ics.ul.pt/index.php/component/content/article/59-temadomes/206-setembro-2013 .
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2012), “Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico” in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2011), “A educação financeira das crianças: aprender a gastar e a poupar”, in Hernâni Veloso Neto (Coord.) et al. – Plataforma Barómetro Social – Ano de 2011 em revista, Vila do Conde: Civeri Publishing, 407, pp. 1-3. ISSN 2182-1879. Disponível em http://barometro.com.pt/archives/407.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2011), “Poupança e consumo em Portugal: desafios ao equilíbrio”, in Hernâni Veloso Neto (Coord.) et al. – Plataforma Barómetro Social – Ano de 2011 em revista, Vila do Conde: Civeri Publishing, 217, pp. 1.2. ISSN 2182-1879. Disponível em http://barometro.com.pt/archives/217 .

Comunicações

  • Cruz, Vanessa; Ribeiro, Raquel Barbosa (2014), “From premium-chic to premium-cheap. Consumption in group buying & discount sites”, ESA Consumption Research Network Midterm Conference, 4 de Setembro, Universidade do Porto.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Soares, Isabel (2014), “Spend It As I Tell You, NOT As I Do: Children, Families and Money In Different Socio-Economic Contexts”, XVIII ISA World Congress of Sociology, 13 a 19 de Julho, Yokohama, Japão.
  • Pires, Carlos; Ribeiro, Raquel Barbosa (2014) “O consumidor e a comunicação do sector bancário em Portugal: contextos e tendências”, VIII Congresso Português de Sociologia, 14 a 16 de Abril, Universidade de Évora.
  • Figueiredo, Filipa Frazão; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “A importância do preço na comunicação das marcas”, 8º Congresso da SOPCOM, 17 a 19 de Outubro, ESCS, Lisboa.
  • Figueiredo, Filipa Frazão; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “O smart-shopper. A importância do preço nas práticas de consumo”, I Encontro Internacional da Secção de Sociologia do Consumo da APS, 6 de Junho, FLUP, Porto.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “Educating children for consumption”, International Seminar Consumption, Children and Families, 15 de Maio, ICS, Lisboa.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Lourenço, Joana (2013), “A comunicação para a responsabilidade. Análise de campanhas de responsabilidade financeira, ambiental e social dirigidas às crianças”, Cive Morum 2013 International Congress, 25 de Março, FLUP, Porto.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa; Quintino, Diana (2013), “A educação para o consumo em Portugal: uma análise crítica de programas públicos e privados”, Cive Morum 2013 International Congress, 26 de Março, FLUP, Porto.
  • Foa´, Caterina; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “Da responsabilidade social das organizaçoes ao consumo responsável. Projectos sociais e produtos culturais gratuitos”, Cive Morum 2013 International Congress, 26 de Março, FLUP, Porto.
  • Figueiredo, Filipa Frazão; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “Do premium ao preço: mudança nas práticas de consumo e nas estratégias de comunicação”, Cive Morum 2013 International Congress, 26 de Março, FLUP, Porto.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2012), “Do children need education for consumption? Ethical reflections inspired by a Program in Portugal”, ESA Consumption Research Network Interim Meeting, 6 de Setembro, Berlim, Alemanha.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2012), “Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico”, VII Congresso Português de Sociologia, 22 de Junho, Porto.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2011), “Children spend, children save”, 10th ESA Conference, 8 de Setembro, Genève, Suíça.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2011), “Consuming Better. A Partnership between Sociology and Social Work”, Sociology and Social Work Seminar, 27 de Maio, ISCSP-UTL, Lisboa.
  • Ribeiro, Raquel Barbosa (2011), “Para além da crise: adaptações e potencialidades do consumidor do século XXI”, I Encontro Consumo, Cultura e Sociedade, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 9 de Abril.

Teses de Mestrado 

Seminários de Licenciatura em Ciências da Comunicação

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PODIA VIVER COM METADE DO QUE TEM?

Marketeer online, 26 de Maio, 2014

Um estudo da Havas Worldwide sobre os novos padrões de consumo revela que 70% dos inquiridos acredita que o sobreconsumo está a colocar em risco o planeta e a sociedade, e que 50% afirma que podia viver feliz com metade das coisas que possui.

O estudo, denominado “The New Consumer and the Sharing Economy”, conclui que as preocupações com os hábitos de consumo têm dado lugar a novos modelos de partilha e de colaboração. “Iniciámos uma era em que partilhar tudo, de carros a casas de férias, de livros de estudo a animais de estimação, se tornou socialmente aceitável entre os que acreditam que esgotámos o planeta, e a nós próprios, com coisas a mais e responsabilidades a mais”, sublinha a Havas Worldwide.

O inquérito revela ainda que “a larga maioria dos consumidores inquiridos acredita que os actuais modelos económicos não funcionam. Contudo, uma parte substancial está convencida de que é fundamental a existência de elevados níveis de consumo para haver crescimento económico. Para diminuir o conflito neste ponto estão a trocar a culpa por significado, ao comprar produtos mais duráveis e sustentáveis, a partilhar em vez de possuir”, conclui a agência. “Esta emergente forma de pensar está a impulsionar um novo modelo económico centrado em comunidade e colaboração em vez de em propriedade e acumulação”, reitera.

Já os Millenials (pessoas entre os 18 e os 34 anos de idade) estão a adoptar as transacções peer-to-peer e o crowdfunding e mais de um terço já pertence a um serviço de partilha ou espera vir a pertencer durante o próximo ano.

«Nos últimos anos temos vindo a acompanhar a mudança do gasto descuidado para uma abordagem mais consciente ao consumo, mas o que vemos agora é algo de muito mais proactivo e envolvido», afirma Andrew Benett, global CEO da Havas Worldwide. A «boa notícia para os marketeer» é que « os dados apontam para todo o tipo de formas através das quais as marcas se podem envolver nestes novos modelos de consumo – como sinais de confiança, como motivadores de “bom” comportamento, e como construtoras de comunidade e de ligações», acrescenta.

O estudo “The New Consumer and the Sharing Economy” baseia-se em inquéritos online a 10.574 pessoas, com idades a partir dos 16 anos, num total de 29 mercados, incluindo Portugal.

Portugueses usam cada vez mais sites de descontos

iOnline, Por Beatriz Silva, publicado em 21 Out 2013 – 12:53

Este ano, a poupança foi na ordem dos 33 milhões de euros. É certo que comprar através dos sites de desconto está na moda e compensa. Entre Janeiro e Setembro deste ano foram vendidos cerca de 687 mil cupões de desconto, apresentando um crescimento de 25,3% em relação ao ano passado, de acordo com o Forretas.com – principal portal agregador de sites de desconto. “Os portugueses recorrem cada vez mais aos sites de descontos e que confiam nestas plataformas para a compra online” afirmou Gonçalo Poças, fundador do Forretas.com. Feitas as contas, no total, os consumidores pouparam cerca de 33 milhões de euros, sendo o sector de turismo o mais procurado para descontos online (32,8% das vendas). “A conjuntura económica do país, juntamente com a segurança que existe na compra online são os factores que influenciam a procura crescente destes sites.” Produtos como gadgets e pequenos electrodomésticos seguem na lista como segunda opção. “A oferta é cada vez mais diversificada, de boa qualidade e a preços bastante acessíveis”, concluiu o responsável.

A importância do preço na comunicação das marcas

Figueiredo, Filipa Frazão; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “A importância do preço na comunicação das marcas”, 8º Congresso da SOPCOM, 17 a 19 de Outubro, ESCS, Lisboa.

Estudos recentes na área do consumo demonstram que os comportamentos dos consumidores estão a mudar (Arnold, 2009). Até à primeira década do século XXI, os teóricos viviam ainda o entusiasmo pós-moderno ligado às emoções, ao hedonismo, à liberdade e à criatividade (Illouz, 2009, Ribeiro 2011), segundo o qual o consumo era considerado o centro da atividade social (Shields, 1992; Miller, 1995). Embora nunca tenha sido consensual que a sociedade portuguesa tenha experimentado uma pós-modernidade plena, diversos autores concordam que os seus padrões de consumo atingiram características apreciáveis, notando-se a apetência pela experimentação e pela variedade e até alguma tendência para a ostentação (Pais, 1998; Barreto, 2000; Ribeiro, 2011). Contudo, a partir de 2007, começaram a observar-se práticas de consumo tidas como mais conscientes, responsáveis e sustentáveis, como não gastar sem pensar (Arnold, 2009), a aquisição de produtos ecológicos ou uma maior preocupação com os direitos humanos e animais (Carr et. al., 2012). Estas novas práticas de consumo levaram a uma redefinição do que era considerado luxo e a uma nova definição de status (Arnold, 2009; Wells et. al., 2011). Menos recursos económicos podem conduzir a um estilo de vida mais “frugalmente chique” e criativo, onde pontuam práticas como a diminuição do gasto, o banimento das marcas mais caras, o do-it-yourself, os serviços partilhados, a restauração e reutilização de bens, os artigos em segunda mão, a contrafação ou a poupança; estes comportamentos terão deixado de ser embaraçosos para passar a parecer sensatos e mesmo sinais de bom gosto (Campbell, 2005; Watson e Shove, 2008; Rutter e Bryce, 2008; Beer e Burrows, 2010). Esta nova realidade está a levar várias marcas a aderir a novos modelos de negócio e estratégias, como os websites de compra em grupo, as vendas para membros, os descontos locais ou os preços dinâmicos. Nota-se ainda que cada vez mais marcas têm vindo a introduzir menções explícitas ao preço na sua comunicação. A partir da pergunta “será a comunicação do preço transversal a todas as categorias de produto?” pretende-se analisar e compreender a importância do preço nas decisões de comunicação das marcas, conhecer as suas causas e refletir sobre os seus efeitos, quer para as marcas, quer para os consumidores. Quanto aos objetivos de investigação pretende-se (1) saber se esta mudança nas estratégias de comunicação é sentida pelos diferentes intervenientes no mercado, desde fabricantes e consumidores aos parceiros de comunicação e media, (2) averiguar se é uma alteração transitória, resultado de uma adaptação conjuntural às circunstâncias socioeconómicas em que vivemos, ou se se trata de uma tendência, (3) perceber se abrange todas as categorias de produto, (4) e recolher e apresentar exemplos de casos das marcas Chicco, Adagio, Skip, Mercedes-Benz e Renova, posteriormente analisados e discutidos. Este é um fenómeno atual, recente e pouco estudado. Por conseguinte, serão utilizadas técnicas qualitativas, nomeadamente entrevistas exploratórias semiestruturadas e entrevistas em profundidade semiestruturadas individuais a consumidores, especialistas e profissionais de marketing, comunicação e estudos de mercado.

O smart-shopper. A importância do preço nas práticas de consumo.

Figueiredo, Filipa Frazão; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “O smart-shopper. A importância do preço nas práticas de consumo”, I Encontro Internacional da Secção de Sociologia do Consumo da APS, 6 de Junho, FLUP, Porto.

Qual a relevância da comunicação do preço nas novas práticas de consumo? ”

Do premium ao preço: mudança nas práticas de consumo

Figueiredo, Filipa Frazão; Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “Do premium ao preço: mudança nas práticas de consumo e nas estratégias de comunicação”, in Hernâni Veloso Neto e Sandra Lima Coelho (Eds), Proceedings Cive Morum 2013 International Congress. Vila do Conde: Civeri Publishing, pp. 167-173. ISBN: 978-989-97762-4-1.

Ao longo dos anos de maior prosperidade económica, muitas marcas focaram-se na transmissão de mensagens emotivas e simbólicas, comunicando valores premium, enfatizando distinção, prestígio e requinte, prometendo ao seu consumidor um sentimento de superioridade e diferenciação (Allérès, 1997; Passarelli, 2010). Com as mudanças no comportamento do consumidor, diversas marcas alteraram as suas estratégias, passando a comunicar aspetos mais funcionais do seu produto ou serviço – como as características, o desempenho e, sobretudo, o preço. Este artigo aborda a relação entre as transformações dos consumidores e as estratégias de comunicação das marcas, procurando perceber a importância da frugalidade e do preço no contexto de consumo atual. Serão estas transformações temporárias e adaptativas, resultado da crise económica que atravessamos, ou estamos perante uma mudança duradoura dos consumidores face às suas práticas de consumo? E quais as suas consequências? Como reagem as marcas? Para responder a estas questões foram analisados artigos e relatórios e realizadas entrevistas a profissionais das áreas de estudo de mercado, publicidade, marketing, comunicação e consumo. A relevância desta investigação prende-se com o facto de este ser um fenómeno atual, recente e pouco estudado e que carece de uma compreensão mais profunda e sustentada.

Educating children for consumption

Ribeiro, Raquel Barbosa (2013), “Educating children for consumption”, International Seminar Consumption, Children and Families, 15 de Maio, ICS, Lisboa.

A comunicação para a responsabilidade. Análise de campanhas de responsabilidade financeira, ambiental e social dirigidas às crianças

Ribeiro, Raquel Barbosa; Lourenço, Joana (2013), “A comunicação para a responsabilidade. Análise de campanhas de responsabilidade financeira, ambiental e social dirigidas às crianças”, Cive Morum 2013 International Congress, 25 de Março, FLUP, Porto.

O tema deste estudo centra-se nos efeitos que a comunicação para a responsabilidade desenvolvida pelas organizações provoca nos valores atuais das crianças portuguesas. Neste âmbito, propõe-se a seguinte questão: qual a influência da comunicação para a responsabilidade nos valores das crianças portuguesas entre os 10 e os 15 anos de idade? Com a finalidade de responder à questão central do estudo, apresentam-se os principais objetivos: 1) conhecer a hierarquia de valores das crianças entre os 10 e 15 anos de idade; 2) compreender a influência da comunicação para a responsabilidade na educação financeira, ambiental e social das crianças; 3) compreender a posição dos pais face às campanhas de comunicação para a responsabilidade; 4) analisar exemplos de campanhas para a responsabilidade, nos planos financeiro, ambiental e social.

A educação para o consumo em Portugal: uma análise crítica de programas públicos e privados

Ribeiro, Raquel Barbosa; Quintino, Diana (2013), “A educação para o consumo em Portugal: uma análise crítica de programas públicos e privados”, Cive Morum 2013 International Congress, 26 de Março, FLUP, Porto.

Neste artigo, apresenta-se o desenho teórico-empírico e os resultados preliminares de um projecto que pretende identificar e debater os programas públicos e privados desenvolvidos em Portugal, com a finalidade de educar para o consumo, particularmente no âmbito da literacia financeira e do encorajamento da poupança. As iniciativas de educação para o consumo de crianças e adultos têm crescido nos últimos anos mas, até ao momento, ainda está por realizar um mapeamento dos seus objectivos, uma avaliação da sua eficácia e uma reflexão sobre as suas implicações éticas. A partir de um projecto-piloto realizado em 2011, em duas escolas de Lisboa que receberam um programa de educação financeira de um banco privado, emergiram considerações científicas, metodológicas e morais que motivaram a necessidade deste estudo de caracterização nacional.

Do children need education for consumption? Ethical reflections inspired by a Program in Portugal.

Ribeiro, Raquel Barbosa (2012), “Do children need education for consumption? Ethical reflections inspired by a Program in Portugal”, ESA Consumption Research Network Interim Meeting, 6 de Setembro, Berlim, Alemanha.

Programmes of consumer education directed to children are beginning to draw some attention in Europe. The aim of this article is to raise a few topics to debate these initiatives and their ethical implications. Children have been increasingly regarded as active and influential consumption actors and their relation to money, products and the media has been variedly explored in the last decades. The crescent amounts of money received by children and their growing centrality in familiar, economic and social life force us to rethink the considerations of their insignificance as consumers and look out for different paradigms. Scholars, governments and organizations examine children with growing interest and preoccupation, trying to forecast the profile of consumer citizens of the future and to prevent problems that are challenging contemporary societies, such as debt, alienation or pollution. Educational programmes have multiplied, willing to prepare children for a more conscious, sustainable and empowered consumption behaviour. In Portugal, these programmes have most of the times been embedded in private initiatives from banks and insurance companies. However, ethical questions arising from this type of programs and their alleged pedagogical contents should be discussed. The example of a Program of Financial Education applied to 245 children of two primary schools in Lisbon, Portugal, in 2010, is used to illustrate some issues that should matter to sociologists of consumption.

Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico

Ribeiro, Raquel Barbosa (2012), “Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico”, VII Congresso Português de Sociologia, 22 de Junho, Porto.

Neste artigo, explora-se a importância do contexto socioeconómico para as práticas de consumo e poupança das crianças. O estudo das desigualdades e do consumo tem prestado pouca atenção à infância e à educação para o consumo. Esta investigação tem por objectivo comparar as representações e os comportamentos de crianças, pais e encarregados de educação de estratos sociais diferentes, identificando oportunidades educativas que promovam a literacia financeira e a inclusão social. Para tal, recorre-se a uma pesquisa quali-quantitativa centrada em 245 crianças das escolas básicas da Penha de França, em Lisboa, e dos Salesianos do Estoril. Os resultados apontam para diferenças relevantes por escola e contexto socioeconómico dos agregados, levando-nos a reflectir sobre os contributos de Goldthorpe e Lockwood, por exemplo, acerca da mentalidade das classes no que toca ao gasto, ao investimento, ao planeamento do futuro e ao adiamento da gratificação.

Children spend, children save

Ribeiro, Raquel Barbosa (2011), “Children spend, children save”, 10th ESA Conference, 8 de Setembro, Genève, Suíça.

This article examines consumption and saving representations and practices of children aged 8-11 years, attending an elementary school in Lisbon, Portugal. This school is adhering to a Program of Financial Education developed by a Bank and our purpose is to identify and understand perceptions, behaviours and cognitive outcomes of the children under consideration, before and after the implementation of the program. Research has demonstrated the relationship between the development of the concepts of money and saving among children and their subsequent use in adulthood, as well as the importance of factors such as education and social networks in the construction of these notions. But the mental dialogue that contextualizes the decision of whether to spend or save, from the children´ viewpoint, is yet to be further explored. While children have been increasingly regarded as active and influential consumption actors, they are also taught (again) on how to refrain and save money, especially during recessive economic periods. It is therefore important to identify and understand the representations and practices that shape consumption and financial management of children and what is the contribution of parents, school, peers, media and other agents for this process. The research is quali-quantitative; focus groups, individual interviews and questionnaires will be applied to approximately 60 children and to their parents and teachers. Gender and socio-economic effects will be analysed. The results will serve to define pedagogical practices and to build a financial education program tailored to the needs of children.

Consuming Better. A Partnership between Sociology and Social Work.

Ribeiro, Raquel Barbosa (2011), “Consuming Better. A Partnership between Sociology and Social Work”, Sociology and Social Work Seminar, 27 de Maio, ISCSP-UTL, Lisboa.

The aim of this article is to debate the potential of collaboration between Sociology and Social Work for dealing with consumption issues. Despite consumption is not a typical social problem itself, many of its derivate and correlate phenomena have been serious social, economic and political concerns to scientists and institutions. If, on the one hand, consumption has been related to raising living standards, comfort, agency, creativity and individual freedom, on the other is has also been linked to negative environmental and social consequences such as waste, pollution, debt or alienation. However, some moral ambiguity has traditionally accompanied this subject, as it has not been clear whether the mechanisms of consumption should be praised or condemned and if the moral stances emerging from social analysis should be directed to social intervention. Consumption is a challenging topic for the integration of knowledge and practice of these two disciplines, as they could, together, provide a better response to the urge of promoting ethical, responsible and sustainable choices. In this article, we shall examine some examples of educational programs devoted to the promotion of financial and consumerist literacy and to the encouragement of planning, saving, recycling and reusing, seeking to demonstrate that a counterpart from Social Work could help Sociology of Consumption to develop a stronger vocation for improving people´s lives.

Crianças, consumo e poupança: um estudo em duas escolas primárias

Observatório Português da Juventude, Setembro 2013
Disponível em http://www.opj.ics.ul.pt/index.php/component/content/article/59-temadomes/206-setembro-2013.

Autora: Raquel Barbosa Ribeiro (ISCSP-U.Lisboa)

Resumo

Este artigo resume os resultados de uma investigação sociológica sobre consumo e poupança das crianças, coordenada por Raquel Barbosa Ribeiro, do ISCSP-UTL, em parceria com António Gabriel, do Agrupamento de Escolas de Nuno Gonçalves em Lisboa. O estudo teve como objectivo principal investigar as representações e práticas financeiras, a gestão do dinheiro e a poupança de crianças dos 8 aos 12 anos. A pesquisa foi quali-quantitativa e incluiu 245 crianças do 3º e do 4º ano de escolaridade, os seus encarregados de educação e professores. Foram comparadas duas escolas primárias muito diferentes: uma escola pública frequentada por alunos de estrato social médio baixo, em Lisboa (que será designada por “Lisboa”) e uma escola privada para filhos de dirigentes e quadros superiores, no Estoril (doravante referida como “Estoril”). A recolha de dados decorreu entre Fevereiro e Julho de 2011.

Introdução

As crianças têm sido progressivamente consideradas como actores activos e influentes no processo de consumo (Pugh, 2011; Schor, 2004) e a sua relação com o dinheiro, a família, os pares e os media tem sido notoriamente exploradas nas últimas décadas (Cook, 2008). Académicos, governantes e organizações examinam as crianças com crescente interesse e preocupação, tentando antever o perfil dos cidadãos consumidores do futuro e prevenir problemas que têm desafiado as sociedades contemporâneas, como a dívida, a alienação ou a poluição. A investigação multidisciplinar tem abarcado tópicos de interesse como a socialização para o consumo e os estágios de evolução cognitiva inspirados em Piaget, a transmissão intergeracional de atitudes e comportamentos parentais às suas crianças, o efeito das estratégias de marketing e publicidade nas crianças, com as suas implicações legais e éticas, a formação do processo de decisão de compra, a influência, a negociação e a manipulação dos seus pais e educadores e as políticas sociais e de defesa do consumidor (John, 1999, Martens et al., 2004). Alguns temas que despertam preocupações políticas e morais são, por exemplo, a discussão sobre se o consumo estandardiza, “comodifica” ou reprime as experiências infantis; se as crianças são instrumentos de interesses capitalistas e se o desejo por bens e serviços caros encaminha as crianças para escolhas de vida perigosas (Zelizer, 2002).

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É reconhecido que as crianças têm sido tratadas como actores sociais menores ou subdesenvolvidos (Ruckenstein, 2010), desempenhando um papel secundário em processos de consumo e poupança e que “as crianças colocam problemas analíticos, ontológicos e epistemológicos à teorização da acção social (…) precisamente porque a sua agência, a sua forma de estar no mundo e as suas fontes de conhecimento estão sob discussão” (Cook, 2008: 229). Um dos maiores paradoxos na análise sociológica das crianças é a sua suposta falta de racionalidade em termos de comportamento e conhecimentos financeiros, impedindo alegadamente a sua participação completa, autónoma e consciente nas decisões de consumo (Ruckenstein, 2010), quando a racionalidade nunca foi um critério para rejeitar os adultos da categoria de consumidores e não pode, por conseguinte, ser usada para excluir as crianças da análise. Alguns autores referem, por outro lado, que as crianças são incapazes de compreender o valor abstracto e simbólico dos bens de consumo, permanecendo presas à sua forma material, o que cria grandes limitações ao estudo das crianças como parte integrante da cultura de consumo (veja-se Pugh, 2011). Pode ser inferido deste panorama que as crianças não parecem ter nem capacidades racionais, nem capacidades simbólicas suficientes para os teóricos! Porém, a investigação tem demonstrado a capacidade das crianças para negociar significados e para usar o consumo como instrumento relacional. Os estudos têm revelado ainda a relação entre a socialização para o consumo, o crédito e a poupança nas crianças e a sua ulterior utilização na idade adulta (Anderson e Nevitte, 2006; Zelizer, 2002; Furnham e Argyle, 1998). A afectação de recursos financeiros depende não só do rendimento disponível, do património e da conjuntura económica, mas também da estrutura moral, da educação recebida, da criação de hábitos ou do modo de encarar a gratificação do consumo, entre outros factores.
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Um traço curioso numa parte substancial dos estudos sobre as crianças e o consumo é a ênfase colocada no autocontrole e na poupança, tópicos praticamente esquecidos pela investigação sociológica contemporânea, aparte as contribuições da teoria da acção racional (Ribeiro, 2012).

Resultados

A maioria das crianças (cerca de 52%) apresenta uma definição de dinheiro em sentido lato, associando-o a moedas, notas, cartões, poupança e conta no banco. As que entendem que ter ou comprar coisas é sinónimo de dinheiro são mais numerosas na escola do Estoril (33%, contra 15% na de Lisboa). Os alunos do 3º ano têm uma noção mais “tangível” do dinheiro (moedas, notas, cartões), enquanto os alunos do 4º ano dão grande importância à sua vertente comercial (ter ou comprar coisas).

A melhor forma de obter dinheiro é ter um emprego, declara a grande maioria dos inquiridos de ambas as escolas (mais de 70%). A principal utilidade do dinheiro é, para os alunos de Lisboa, pagar as contas de água e de electricidade (uma preocupação que ouvem muito aos pais); já os alunos do Estoril referem em primeiro lugar a poupança. A maioria das crianças inquiridas não acredita que se consiga viver sem dinheiro (80%).

Do que percebem nos media, as mensagens de que os ricos são mais felizes (61%), de que quem trabalha muito é recompensado (55%) e de que com dinheiro consegue-se o que se quer (44%) têm algum peso. Às crianças de ambas as escolas, uma pessoa pobre parece ser mais simpática, mais poupada e mais honesta do que uma pessoa rica. As crianças do Estoril têm uma visão mais idealista da pessoa pobre do que as crianças de Lisboa (para quem o dinheiro é mais importante para a felicidade e a conquista de amizades – mas não para a sua própria amizade).

Mais de 90% das crianças diz receber dinheiro, seja regular ou esporadicamente. As crianças dos Estoril declaram receber valores consideravelmente superiores aos das crianças de Lisboa, sobretudo em ocasiões importantes como o Natal e o aniversário. Os valores mensais são bastante aproximados (€18 em Lisboa e €22 no Estoril). A grande maioria diz poupar o dinheiro que recebe (73% em Lisboa e 90% no Estoril), dando-o aos pais (comportamento mais presente em Lisboa) ou guardando-o no mealheiro (mais característico no Estoril). Canalizar o dinheiro recebido para ajudar a família é muito mais patente em Lisboa (42%); guardar o dinheiro, sem o gastar nem doar, é um hábito mais forte no Estoril (37%). Nenhuma criança diz que se limita a gastar, sem poupar.

A maioria das crianças (mais de 60%) refere que é necessário portar-se bem e/ou ter boas notas para receber dinheiro. É mais comum que os alunos do Estoril digam que não precisam de fazer nada para receber dinheiro. Segundo as respostas dos pais, não há tanta exigência como a que é declarada pelos filhos, especialmente quanto a ter que ajudar nas limpezas ou nas compras.

Cerca de 85% das crianças vai habitualmente às compras. Enquanto os alunos do Estoril vão acompanhados pelos pais e irmãos, os alunos de Lisboa vão também com outros familiares, como avós, tios ou padrinhos. Há uma maior importância da família alargada nos hábitos de compra e gestão financeira das crianças desta escola. Os itens de consumo mais comprados pelas crianças, para si próprias (em resposta espontânea), são brinquedos, jogos, roupa, sapatos, acessórios, comida, bebida e guloseimas. Nota-se diferenças por escolas: brinquedos e jogos são mais referidos pelas crianças da Lisboa, enquanto os livros são mais mencionados pelas crianças dos Estoril. Cerca de 26% das crianças de Lisboa e 20% do Estoril dizem que não costumam comprar nada. Quanto a diferenças por sexos, o hábito de comprar roupa é superior entre as meninas, enquanto a compra de brinquedos e jogos está mais presente nos rapazes.

As actividades mais desenvolvidas pelas crianças no mês que antecedeu a aplicação dos inquéritos foram o visionamento de televisão, a compra de sumos, a ida ao supermercado, a compra de roupa para si e a compra de brinquedos e jogos. Os alunos do Estoril viram mais televisão, comeram mais em restaurantes ou fast-foods e compraram mais livros. Os alunos de Lisboa compraram mais sumos, brinquedos ou jogos, jogaram mais em centros de diversões e compraram mais equipamento para computador. A compra de roupa e de revistas, as idas ao cinema e ao supermercado e as refeições fora são mais declaradas pelas meninas (especialmente nos Estoril). Os rapazes fazem mais menção às idas ao futebol. Numa questão relativa ao custo de determinados bens de consumo, podemos notar que a percepção dos preços e a hierarquia dos custos feita pelas crianças é bastante realista, sobretudo quanto à tecnologia e à roupa.

A importância da poupança parece ser enorme. Praticamente todas as crianças dizem que o dinheiro é importante para poupar e que as suas famílias lhe dizem que poupar é importante. As crianças de Lisboa enfatizam mais a ideia de poupança por negação do gasto; os inquiridos dos Estoril têm mais a noção de que poupar garante dinheiro no futuro ou permite comprar algo mais caro no futuro. A poupança também é um tema recorrente nos anúncios.

São mais de 70% as crianças que dizem ter, pelo menos, mealheiro. Aproximadamente 50% das crianças diz ter conta no banco. Os pais confirmam estas percepções. É no Estoril que a posse de mealheiro, conta no banco ou ambos é mais elevada. A conta no banco, no entender das crianças, serve para guardar (armazenar) o dinheiro, para poupar e para se poder ir buscar dinheiro quando necessário. A maioria das crianças acha que deverá começar a poupar agorae é no Estoril que essa convicção é mais forte (75%, por oposição a 57% em Lisboa). As raparigas são as que se declaram mais empenhadas em começar a poupar agora.

Conclusões

Este artigo pretendeu alargar o espectro de análise e debate a uma população que ainda está a ganhar relevância em sociologia enquanto consumidora digna de nota: a das crianças. Verificou-se que, em linha com outros estudos sobre adultos, as crianças dos estratos socioeconómicos mais baixos parecem mais orientadas para o pensamento concreto e o presente e traduzem, nas suas atitudes para com o dinheiro e o gasto, uma mensagem ambivalente de sacrifício e indulgência. No entanto, estas crianças revelam também um sentido de vivência comunitária das práticas de consumo e de poupança, e uma orientação para a solidariedade, que mostra que a investigação sobre estes temas ainda deverá considerar outras abordagens. Interessará conhecer em que medida as representações e práticas das crianças têm suporte e continuidade no futuro – nas vidas dos futuros adultos e nos interesses dos sociólogos.

Referências

Anderson, C.L. e Nevitte, N. (2006), “Teach your children well: values of thrift and saving”, Journal of Economic Psychology, vol. 27, 2, pp. 247-261.

Cook, Daniel Thomas (2008), “The missing child in consumption theory”, Journal of Consumer Culture 8:219-243.

Furnham, Adrian e Argyle, Michael (1998), A Psicologia do Dinheiro, Lisboa, Sinais de Fogo.

John, Deborah Roedder (1999), “Consumer Socialization of Children: A Retrospective Look at Twenty-five Years of Research”, Journal of Consumer Research, 26(3): 183–213.

Martens, Lydia; Southerton, Dale; Scott, Sue (2004), “Bringing Children (and Parents) into the Sociology of Consumption. Towards a Theoretical and Empirical Agenda, Journal of Consumer Culture”, 4(2): 155-182.

Pugh, Allison J. (2004), “Windfall Child Rearing. Low-income care and consumption”, Journal of Consumer Culture, 4(2): 229–249

Pugh, Allison J. (2011), “Distinction, boundaries or bridges?: Children, inequality and the uses of consumer culture”, Poetics, 39:1–18.

Ribeiro, Raquel Barbosa (2012), “Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico” in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6.

Ruckenstein, Minna (2010), “Time scales of consumption: children, money and transaccional orders”, Journal of Consumer Culture, 10:383-403.

Zelizer, Viviana (2002), “Kids and commerce”, Childhood, 9(4), 375-396.

A educação financeira das crianças: aprender a gastar e a poupar

Ribeiro, Raquel Barbosa (2011), “A educação financeira das crianças: aprender a gastar e a poupar”, in Hernâni Veloso Neto (Coord.) et al. – Plataforma Barómetro Social – Ano de 2011 em revista, Vila do Conde: Civeri Publishing, 407, pp. 1-3. ISSN 2182-1879.

Disponível em http://barometro.com.pt/archives/407.

Dimensão analítica: Condições e estilos de vida
Título do artigo: A educação financeira das crianças: aprender a gastar e a poupar
Autora: Raquel Barbosa Ribeiro
Filiação institucional: Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa
Palavras-chave: Crianças, poupança, consumo

A literacia financeira, a capacidade de planeamento e a constituição de poupança são temas com uma importância crescente para académicos, governantes, educadores e empresas.

Recentemente, foi divulgada a intenção de criar um Plano Nacional de Formação Financeira [1]; participado pelo Instituto de Seguros de Portugal, pelo Banco de Portugal e pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, foi aprovado pelo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros e deverá contribuir para elevar o nível de conhecimentos financeiros da população, de forma que os portugueses estejam mais bem preparados para adoptar comportamentos financeiros adequados à crescente complexidade e diversidade dos produtos financeiros actualmente disponibilizados no mercado, evitando a propagação de situações de investimento em produtos inadequados ao seu perfil de risco e também situações de sobreendividamento das famílias, sabendo-se já que muitos destes casos estão associados a falta de conhecimento sobre os produtos financeiros contratados. Além de melhorar o conhecimento e as atitudes financeiras dos portugueses, o Plano Nacional de Formação Financeira deverá também apoiar a inclusão financeira, desenvolver hábitos de poupança, promover o recurso responsável ao crédito e criar hábitos de precaução contra práticas ou situações de risco, reconhecem as três entidades envolvidas no projecto. O plano irá ser desenvolvido em cinco anos, até 2015.

A investigação em Ciências Sociais tem demonstrado a relação entre o desenvolvimento das noções de dinheiro e poupança nas crianças e a sua ulterior utilização na idade adulta (Anderson e Nevitte, 2006 [2]; Furnham e Argyle, 1998 [3]), assim como a importância de factores como a educação e as redes sociais na construção destas noções. Importa, assim, identificar e compreender as representações, percepções, sentimentos e práticas que enformam a vivência quotidiana da gestão financeira das crianças e qual é o contributo dos pais, da escola, dos pares, dos media e dos agentes económicos para a formação do pensamento aforrador.

Um projecto de investigação actualmente em curso no ISCSP-UTL, de cariz sociológico, visa investigar as representações e práticas financeiras, de gestão do dinheiro e de poupança, das crianças. O objectivo geral será contribuir para uma melhor compreensão da formação do pensamento financeiro infantil, bem como para o desenvolvimento e a avaliação de estratégias eficazes de literacia financeira junto das crianças e dos respectivos agentes socializadores. A equipa de investigação integra uma socióloga, um professor do Ensino Básico e uma aluna finalista de Serviço Social.

Face à oportunidade de a Escola Básica do 1.º Ciclo Arq. Victor Palla (Penha de França, Lisboa) e a Escola dos Salesianos (Estoril) serem alvo de um Programa de Educação Financeira desenvolvido um banco português, o estudo pretende: 1) identificar percepções e comportamentos da população em análise antes da aplicação do programa; 2) aferir, depois da aplicação do programa, os resultados cognitivos alcançados. Este programa consiste em quatro passos: uma aula informal de cerca de 90 minutos, centrada na mensagem “como se pode poupar dinheiro”, leccionada por voluntários do banco; um trabalho prático feito pelas crianças, a partir de um livro didáctico, com a assistência dos seus professores; uma visita a um banco, para aprender e experimentar a proximidade com moedas, notas e o multibanco; e uma visita a um centro comercial, com uma experiência de compra simulada num supermercado. As vantagens pedagógicas deste tipo de programas estão documentadas, por exemplo, por Zimmerman (2008) [4].

O universo engloba cerca de 240 alunos do 3º e 4º ano de escolaridade destas escolas. A título complementar, são também investigados os respectivos encarregados de educação e professores. A pesquisa é de cariz quali-quantitativo, assente em reuniões de grupo, entrevistas individuais e aplicação de inquéritos por questionário às crianças e aos respectivos encarregados de educação e professores. Começou-se com reuniões de grupo (nas quais participaram, no total, dezasseis crianças), para explorar as principais percepções e práticas relativamente ao dinheiro, ao consumo e à poupança. O objectivo das questões abertas foi apreender ideias de dinheiro, utilizações do dinheiro, origens do dinheiro, hábitos de compra, valores (a importância do dinheiro para ter poder, amigos, felicidade, sucesso…), hábitos de poupança, mesadas e semanadas, dinheiro de bolso, mealheiro, conta bancária e o papel da família na gestão do dinheiro da criança e no aconselhamento financeiro. Após uma análise de conteúdo, foi construído um questionário de 28 questões (com quatro perguntas abertas), pretendendo diagnosticar e mensurar cognições e representações sobre os assuntos referidos. O questionário foi aplicado a oito turmas, quatro das quais foram alvo do Programa de Educação Financeira. Após a aplicação do Programa, pretende-se repetir o questionário em todas as turmas, mesmo nas que não foram alvo das quatro etapas, para comparar resultados cognitivos e detectar eventuais diferenças.

Na análise, serão consideradas as diferenças por género, idade e enquadramento socioeconómico das duas escolas (a escola da Penha de França, pública, abarca uma população da classe média-baixa, com elevada incidência de desempregados e imigrantes, enquanto a escola do Estoril, privada, tem como alunos filhos de quadros médios e superiores).

Tratando-se de um estudo de caso, os resultados desta investigação servirão para a definição de práticas pedagógicas a implementar junto da população escolar e para a construção de um programa de educação financeira ajustado às necessidades das crianças.

Notas

[1] Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (2011), Plano Nacional de Formação Financeira 2011-2015, disponível emhttp://www.cmvm.pt/CMVM/Coopera%C3%A7%C3%A3o%20Nacional/Conselho%20Nacional%20de%20Supervisores%20Financeiros/Documents/Plano%20Nacional%20de%20Forma%C3%A7%C3%A3o%20Financeira.pdf.

[2] Anderson e Nevitte (2006), “Teach your children well: values of thrift and saving”, Journal of Economic Psychology, vol. 27, 2, pp. 247-261.

[3] Furnham, A. e Argyle, M. (1998), A Psicologia do Dinheiro, Lisboa, Sinais de Fogo.

[4] Zimmerman, Jamie (2008) ‘Childs savings accounts: a primer’, New America Foundation.

Poupança e consumo em Portugal: desafios ao equilíbrio

Ribeiro, Raquel Barbosa (2011), “Poupança e consumo em Portugal: desafios ao equilíbrio”, in Hernâni Veloso Neto (Coord.) et al. – Plataforma Barómetro Social – Ano de 2011 em revista, Vila do Conde: Civeri Publishing, 217, pp. 1.2. ISSN 2182-1879.

Disponível em http://barometro.com.pt/archives/217

Dimensão analítica: Condições e estilos de vida
Título do artigo: Poupança e consumo em Portugal: desafios ao equilíbrio
Autora: Raquel Barbosa Ribeiro
Filiação institucional: Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa
Palavras-chave: Poupança, consumo

Tema na ordem do dia por força da conjuntura, a poupança tem sido relativamente pouco trabalhada pelas Ciências Sociais e continua a ser um domínio de interesse maioritariamente económico. Comparativamente, tem sido dedicada maior atenção, tanto académica como mediática, ao consumo – o parente mais exuberante da afectação individual do rendimento e também o contrapeso directo da poupança. Contudo, para a compreensão do nível, da regularidade e do sucesso da poupança, contribuem diversos factores de ordem psicossocial (e não apenas económica): o hábito, as motivações, o optimismo, o autocontrolo, a envolvente cultural, a rede social, a família, os amigos, a escola e os media. Há um forte lastro emocional e social mesmo nas decisões teleologicamente mais racionais, que merece um olhar atento e que pode fazer vislumbrar oportunidades de actuação para os agentes sociais implicados na gestão da poupança.

Até muito recentemente, a taxa de poupança das famílias tinha decrescido desde meados da década de 80. No seu relatório anual de 2007 [1], o Banco de Portugal divulgava que a taxa de endividamento das famílias era de 129% e que a taxa de poupança das famílias portuguesas se encontrava nos 7,2% do rendimento disponível, o valor mais baixo dos últimos treze anos. Os dados de um estudo da TESE [2] mostram uma reduzida capacidade de poupança em Portugal: mais de metade dos inquiridos (59%) afirma que nada lhe sobra por mês depois de pagas as despesas fixas Os extremos da escala etária são os mais penalizados.

Encontramos gerações juvenis a viver num contexto de insegurança laboral e financeira, mas aparentemente pouco preparadas para lhe fazer face. A dependência da família de origem tenderá a prolongar-se por mais anos, acompanhando não só o aumento da duração da escolaridade obrigatória como também o das novas licenciaturas-mestrados de Bolonha. O envelhecimento da população mostra-se irreversível e a sustentabilidade da segurança social enfrenta desafios sérios que fazem urgir a necessidade de repensá-la. Aprender a poupar, regular e cabalmente, para garantir o futuro, quer dos adultos a caminho da reforma, quer dos jovens em estrita e duradoura dependência dos seus progenitores, afigura-se inevitável no presente e no futuro. Contudo, o hábito de poupar tem vindo a resultar erodido da combinação entre uma socialização mais permissiva, uma estrutura social mais lassa, o aumento das solicitações e facilitações de consumo, do lado da oferta, e do hedonismo, do individualismo e da orientação para o curto prazo, do lado da procura (apoiados na subida dos rendimentos), juntamente com alguma desmoralização da juventude para assumir o planeamento da trajectória da sua própria vida.

Que valores contemporâneos, herdados ou em germinação, modelam as decisões financeiras individuais? Que sentimentos acompanham o planeamento e a gestão financeira? Qual é o contributo dos pais, da escola, dos amigos, dos media e dos agentes económicos para a formação do pensamento aforrador? E, como corolário, poupar para quê?

A investigação sociológica mostra que, por um lado, a poupança ainda está muito associada a dificuldade, privação, doença, velhice, classe baixa – é a poupança do “jogar à defesa”. Se o conseguir poupar inspira sentimentos de (auto)controlo e orgulho, o seu suporte moral está fragilizado e ainda parece longe de prometer felicidade. Poupa-se ainda muito por medo e pouco por sonho. A poupança é vivida “em casulo”, em isolamento, em “autocracia” (a maioria diz confiar inteiramente em si para encontrar as melhores formas de poupar) – mas com pouca satisfação e literacia daí decorrentes: há muitos ignorantes sobre o montante da sua poupança, acompanha-se pouco a oferta, não se pede muito conselho a familiares e amigos e a frustração é maior do que o sentimento de missão cumprida.

Mas também se vislumbra o aparecimento de um novo modo de encarar a poupança, como trampolim de aspirações, que pode ganhar o seu terreno especialmente junto dos mais novos, das mulheres e mesmo dos estratos sociais ainda pouco despertos para este hábito (mas que representam uma grande parte da população). A poupança como idealização de refúgio de estabilidade no fim da vida, ou como plano de contingência para dias cinzentos (demasiado remota, passiva e negativa para a impaciência e o epicurismo dos tempos que correm), começa a ser substituída por outra mais ambiciosa, instrumental, polietápica e plurimotivacional, que se adapta ao longo da vida aos desejos e objectivos do momento, que visa proporcionar usufruto e hedonismo “em idade útil”, com tanta legitimidade como a que tipicamente tem sido concretizada por disciplina ou segurança, que deverá estar apta a renegociar o conceito de “longo prazo” e de “adiamento”.

Será sem dúvida útil e oportuno que todos possamos aprender alguma coisa com a crise, com o endividamento, com o “vazio” e com outros alegados malefícios do consumo, seja na economia, na sociedade ou nos valores. Para que a poupança venha a ser um hábito fluido, desejado e consolidado, capaz de coabitar em equilíbrio e complementaridade com o consumo, será necessária uma estratégia vertebrada, consequente e duradoura, assente na educação e participada pelos agentes económicos e financeiros.

Notas

[1] Banco de Portugal (2007), Relatório e Contas. Gerência de 2007, Disponível em URL [Consult. 17 Fev 2011]: < http://www.bportugal.pt/&gt;.

[2] TESE – Associação para o Desenvolvimento (2009), Necessidades em Portugal – tradição e tendências emergentes, Junho, Lisboa: ISCTE.

Estudo sobre consumo e poupança das crianças – notícias nos media

Destak, 10/11/2011

50% dos alunos entre 8 e 12 anos tem conta bancária, meninas preocupam-se mais em poupar

Um estudo feito a crianças entre os 8 e os 12 anos revelou que metade tem conta bancária e a maioria entende que está na altura de começar a poupar, com as meninas mais empenhadas nesta tarefa. Entre fevereiro e julho deste ano, uma equipa de investigadores coordenada por uma técnica do Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas (ISCSP) inquiriu 245 meninos de duas escolas do 1º ciclo do ensinop básico com contextos socioeconómicos “muito diferentes”: a escola pública na Penha de França e os Salesianos do Estoril. Os resultados preliminares mostram que existem situações em que não há diferenças entre os alunos das duas escolas e outros casos em que o seu meio socioeconómico faz diferença. “Aproximadamente metade das crianças diz ter conta no banco”, revela o sumário dos resultados preliminares do estudo “consumo e poupança das crianças”, para o qual foram entrevistados também os pais dos alunos que confirmaram a informação prestada pelos filhos no que toca a contas bancárias. São mais de 70% as crianças que dizem ter, pelo menos, mealheiro. Mas é nos Salesianos que a posse de mealheiro, conta no banco ou ambos é mais elevada. Curioso é o facto de a maioria das crianças achar que “deverá começar a poupar agora”, sendo que esta convicção é mais forte nos Salesianos (75%, por oposição a 57% na Penha de França). Feita uma análise entre os sexos percebe-se que “as raparigas são as que se declaram mais empenhadas em começar a poupar agora”. “Nenhuma criança diz que se limita a gastar, sem poupar”, lê-se no sumário do estudo coordenado pela investigadora do ISCSP, Raquel Barbosa Ribeiro. A importância da poupança é uma ideia que é incutida às crianças pelas famílias, apesar de ser também um tema recorrente nos anúncios, dizem 65% dos alunos da Penha de França e 80% dos Salesianos. Cerca de 85% das crianças vai habitualmente às compras: Os alunos dos Salesianos vão acompanhados mais pelos pais e irmãos, enquanto os da Penha de França vão também com outros familiares, como avós, tios ou padrinhos. Os itens de consumo mais comprados pelas crianças são brinquedos, jogos, roupa, sapatos, acessórios, comida, bebida e guloseimas. Os meninos da Penha de França dizem comprar mais brinquedos e jogos, enquanto os livros são mais mencionados pelas crianças dos Salesianos. Curioso é elas admitirem terem uma preferência por ir comprar roupa e eles uma apetência por brinquedos e jogos. “Cerca de 26% das crianças da Penha de França e 20% dos Salesianos dizem que não costumam comprar nada”, diz o resumo do estudo. Apesar de ainda serem pequenos, os alunos já têm uma “uma perceção realista dos preços”, sendo a hierarquia dos custos feita pelas crianças “bastante realista”, sobretudo quanto à tecnologia e à roupa.

Entre fevereiro e julho deste ano, uma equipa de investigadores coordenada por uma especialista do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) entrevistou meninos entre os oito e os 12 anos de duas escolas do 1º ciclo com contextos socioeconómicos “muito diferentes”: a escola pública na Penha de França e os Salesianos do Estoril.

“Às crianças de ambas as escolas, uma pessoa pobre parece ser mais simpática, mais poupada e mais honesta do que uma pessoa rica. As crianças dos Salesianos têm uma visão mais idealista da pessoa pobre do que as crianças da Penha de França, para quem o dinheiro é mais importante para a felicidade e a conquista de amizades, mas não para a sua própria amizade”, lê-se no sumário da investigação sociológica sobre consumo e poupança das crianças do 3º e 4º ano.

notícias.rtp.pt, 10/11/2011

AOS OLHOS DE UMA CRIANÇA, OS POBRES PARECEM MAIS SIMPÁTICOS, MAIS POUPADOS E MAIS HONESTOS DO QUE OS RICOS, SEGUNDO OS RESULTADOS PRELIMINARES DE UM ESTUDO NACIONAL SOBRE CONSUMO E POUPANÇA QUE INQUIRIU 245 ALUNOS DO 1º CICLO.

O estudo coordenado pela investigadora do ISCSP Raquel Barbosa Ribeiro conclui que oito em cada dez meninos, independentemente da sua escola, não acredita que conseguisse viver sem dinheiro. Mas a principal utilidade do dinheiro varia consoante o meio social: os alunos da Penha de França entendem que a principal utilidade é pagar contas de água e eletricidade, porque é “uma preocupação que ouvem muito aos pais”, enquanto os meninos dos Salesianos consideram que a principal utilidade do dinheiro é a poupança. Seis em cada dez crianças acredita que os ricos são mais felizes (61%) e mais de metade (51%) acha que quem trabalha muito é recompensado. Mais de 90 por cento das crianças recebe dinheiro, seja de forma regular ou esporadicamente. As crianças dos Salesianos recebem mais que as da Penha de França, mas os valores são aproximados: 18 euros na Penha de França e 22 euros nos Salesianos. Nas duas escolas, mais de 70 por cento acredita que a melhor forma de ter dinheiro é tendo um trabalho. Poupar é uma palavra que pertence ao vocabulário e atos de 73% dos alunos da Penha de França e 90% dos Salesianos. Se bem que os meninos da Penha de Franca acabam mais vezes por entregar aos pais as suas poupanças enquanto os dos Salesianos têm mais o hábito de os guardar no mealheiro. Os meninos da Penha de França (42%) usam o dinheiro para ajudar a família, enquanto 37 por cento dos Salesianos guardam o dinheiro, “sem o gastar nem doar”. Entre a maioria das crianças (60 por cento) existe a ideia de que é preciso portar-se bem ou ter boas notas para ser premiado financeiramente, sendo mais comum entre os Salesianos a ideia de que não precisam fazer nada. Além das crianças, os investigadores inquiriam também os seus encarregados de educação e os pais garantiram não haver “tanta exigência como a que é declarada pelos filhos, especialmente quanto a ter que ajudar nas limpezas ou nas compras” para receber dinheiro.

Referências:

Receio da crise aumenta poupança dos portugueses

Sol, 27 de Maio, 2013, por João Madeira
Depois da euforia, chega um momento em que é necessário viver de acordo com as possibilidades, mesmo que isso implique abdicar de bem-estar. Esta é a perspectiva com que muitos portugueses estão a enfrentar o actual momento da economia, com reflexos na poupança. Num período de cortes de salários, pensões e outras prestações sociais, o dinheiro canalizado para depósitos e aplicações seguras continua a aumentar, em prejuízo do consumo de bens duradouros como carros e electrodomésticos. Segundo dados da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, em 2012 as vendas de máquinas de lavar roupa caíram 15%, as de frigoríficos desceram 16% e as de máquinas de lavar loiça recuaram 18,5%. No sector automóvel, a redução de consumo foi para menos de metade, face aos níveis antes da crise. Em 2008, venderam-se mais de 213 mil ligeiros de passageiros; no ano passado, foram cerca de 95 mil. “A incerteza e o receio do que poderá ainda ocorrer determinam que, normalmente, em tempos de crise, a poupança acabe por crescer”, explica ao SOL o presidente da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP), José Veiga Sarmento. São vários os indicadores de que os portugueses estão a poupar mais. Só nos primeiros meses do ano, a APFIPP registou a subscrição de mais de 1,1 mil milhões de euros em produtos financeiros sem risco, como fundos de investimento que privilegiam a liquidez e a segurança das aplicações (ler ao lado). Os depósitos captados pelos bancos em Portugal estão há mais de um ano num patamar histórico, em torno de 130 mil milhões de euros, segundo o Banco de Portugal. E o indicador de poupança calculado mensalmente pela APFIPP e pela Universidade Católica está também no nível mais alto desde 2000. As expectativas das famílias passam por continuar a pôr dinheiro de parte, o que deverá levar a taxa de poupança dos portugueses para cerca de 10% do PIB, segundo este indicador.Retracção do consumoComo é possível haver esta evolução com a perda de rendimento disponível? Há um “maior esforço na racionalização das despesas para compensar a diminuição de rendimento”, diz Veiga Sarmento. Com a taxa de desemprego em máximos históricos, os aumentos de impostos e a perspectiva de novos cortes nas prestações pagas pelo Estado, “as famílias procuram reduzir ao mínimo o seu consumo de bens não essenciais e acumular poupanças que possam ser utilizadas em caso de necessidade”. De acordo com João de Sousa, analista financeiro da Deco Proteste, o aumento da poupança nos últimos anos tem sido conseguido sobretudo à custa da retracção do consumo de bens duradouros: carros e electrodomésticos. “Há sempre uma escolha entre consumo e poupança. Como há uma grande preocupação sobre o futuro, está a haver um enorme esforço em reduzir gastos”, refere. Contudo, pôr todo o dinheiro em aplicações sem risco pode não ser uma boa opção, diz João de Sousa. “Se houver uma perspectiva de curto prazo, é bom aplicar em produtos sem risco. Mas se o investimento for de longo prazo, é importante que isso aconteça, caso contrário não há rentabilidade”, sublinha o analista.Os mais ricos poupam maisNem a APFIPP nem a Proteste dispõem de dados que pormenorizem o perfil das famílias que estão a poupar mais. Contudo, João de Sousa lembra que as famílias com rendimentos mais elevados são as que costumam poupar mais. Neste momento, a aversão ao risco deverá estar a fazer com que também sejam as famílias mais abastadas a canalizar recursos para os bancos e sociedades gestoras de fundos. 

Augusto Mateus: ‘Consumidor vai perceber que há um limite para os seus benefícios’

Meios&Publicidade, Rita Gonçalves,

4 de Dezembro de 2009

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“O próximo ano será um pouco do mesmo de 2009″, adivinha Augusto Mateus, ex-ministro da economia e actualmente presidente da Augusto Mateus e Associados. Na conferência “Consumidor: Comportamentos e Atitudes”, organizada em parceria pelo jornal Hipersuper e IPAM (Instituto Português de Administração e Marketing), o ex-ministro da economia tentou, a partir da sua experiência de governação, traçar o comportamento do consumidor – e do mercado – em 2010. “O próximo ano será marcado pelo fim da descida das taxas de juro e também da tranquilidade dos preços baixos. À medida que a economia começa a crescer os preços aumentam”, profetiza o também professor catedrático do ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão). Mas isso não significa que os portugueses vão voltar aos consumos desmesurados. “Os consumidores vão continuar a privilegiar a segurança, ou seja a poupança. Porque não é possível traçar cenários perante a incerteza. Além disso, as reformas diminuíram em Portugal e ao investir na reforma o consumidor acaba por desinvestir no consumo”. Assim, o consumidor será mais cuidadoso nas despesas e reduzirá as compras acessórias. A compra de bens duradouros vai ser fruto de maior ponderação, aumentando o ciclo de substituição dos produtos, refere. As empresas que trabalham o segmento “low cost” vão optar por uma de duas estratégias, explica ainda o professor. “Ou baseiam a redução do preço dos produtos em melhorias de eficiência”, a melhor opção para a economia, sublinha, “ou optam por reforçar o “low cost” numa lógica restrita de remuneração dos factores produtivos, ou seja para cortar 10% nos preços cortam 10% no emprego”. Esta última opção pode constituir um problema, avisa Augusto Mateus. “Vai chegar a altura em que o consumidor vai perceber que há um limite para os seus benefícios. Ou seja, se para obter reduções de preço nos produtos vai perder poder de compra (despedimentos) então prefere não usufruir esses descontos”. “Triunfarão as empresas que mais depressa perceberem o que mudou e que ofereçam ao consumidor aquilo que quer actualmente”, remata o professor.

PORTUGUESES QUE CONSEGUEM E NÃO CONSEGUEM POUPAR

OS ÚLTIMOS DADOS DO ESTUDO BASEF BANCA DA MARKTEST EVIDENCIAM UM AUMENTO DO NÚMERO DE PORTUGUESES QUE DIZEM DESTINAR UMA PERCENTAGEM DO SEU RENDIMENTO À POUPANÇA. AINDA ASSIM, O NÚMERO DOS QUE NÃO CONSEGUE POUPAR SUPERA O DOS AFORRADORES.

Comportamento face aos Bancos , Grupo Marktest, 3 Novembro 2010

Os dados do quadrimestre móvel de Setembro de 2010 doBasef Banca contabilizam 2 926 mil indivíduos que afirmaram não ter destinado nenhum montante dos seus rendimentos à poupança no último ano. Este valor corresponde a 40.3% do total de residentes em lares com rede fixa no Continente, com 15 e mais anos e possuidores de conta bancária. Pelo contrário, os que afirmam destinar alguma percentagem dos seus rendimentos à poupança perfazem 2 446 milhares, ou 33.6% do total de bancarizados. Há ainda 26.1% que não sabe ou não responde a esta questão. Uma análise evolutiva com base nos indivíduos que dizem destinar alguma percentagem do seu rendimento à poupança, mostra que o número de aforradores aumentou desde 2008, depois de dois anos em que desceu sucessivamente. O valor agora alcançado supera o registado desde 2003.

Entre os mais “poupados” contam-se os homens (38.7% dos que têm conta bancária diz poupar), os jovens entre os 25 e os 34 anos (44.7% deles – muito provavelmente com vista à aquisição de primeira habitação), os residentes na região do Grande Porto (39.3%) e os pertencentes à classe social alta e média alta (52.3%). Mas é na análise das ocupações que mais diferenças são encontradas, já que enquanto mais de metade (58.2%) dos quadros médios e superiores residentes em lares com rede fixa e bancarizados diz poupar, apenas 16.3% das domésticas também refere fazer poupanças.

Numa análise mais detalhada com base nos indivíduos que dizem reservar algum montante dos seus rendimentos à poupança, vemos que a maioria, 50.3%, diz também que, na evolução da sua poupança, tem poupado o mesmo ou mais do que anteriormente. Os que afirmam ter diminuído o seu nível de poupança (têm poupado menos do que anteriormente) representam 48.0%, havendo 1.7% que não sabe ou não responde à questão. Como vemos, o número dos que dizem poupar mais ou o mesmo que anteriormente vem aumentando desde 2008.

Esta análise foi realizada com base nos resultados de Junho de 2009 do estudoBasef Banca da Marktest.

Onde estão os consumidores a cortar para poupar?

5 de Março às 09:30:29, Meios&Publicidade, por Rita Gonçalves

Comprar alimentos e bebidas mais baratos, adiar compras que exijam investimentos de grande dimensão, como automóveis e electrodomésticos, e frequentar cafés, bares ou pubs com menor frequência. Eis as três medidas mais adoptadas pelos europeus para poupar dinheiro. As conclusões são do estudo da GfK “Dia-a-dia de poupança na Europa“, que tentou analisar o comportamento de poupança dos consumidores europeus face ao actual cenário de crise. Mas estas preocupações não se registaram em todos os países do Velho Continente. Enquanto, por exemplo, os consumidores da Alemanha, do Reino Unido, da França e da Áustria estão a tentar reduzir grande parte das despesas, os espanhóis e polacos não têm essa preocupação urgente: um em cada três inquiridos disse não fazer nada para reduzir a despesa familiar.

Cada cabeça sua sentença

Mais de quatro em cada dez consumidores, na Alemanha, Holanda e Áustria, tentam comprar produtos alimentares e bebidas o mais barato possível. Em contrapartida, os russos e italianos estão a gastar menos em roupa e calçado (49% e 43% respectivamente). Outra forma de limitar as despesas diárias passa por comer fora com menos frequência. Na Alemanha (48%), França (45%), Áustria (41%) e Itália (42%) é  a medida mais adoptada. Os russos (45%) e os alemães (42%) estão a tentar adiar as compras maiores, como carros ou electrodomésticos. Ir menos vezes a pubs, bares ou cafés é outra forma de reduzir as despesas diárias: quatro em cada dez inquiridos franceses e alemães afirmam reduzir as despesas adoptando esta medida.

Mulheres mais poupadas

As mulheres europeias manifestam mais necessidade de economizar do que os homens: compram produtos alimentares e bebidas mais baratas (42% contra 34%), gastam menos com roupa e calçado (43% contra 36%) e compram jornais e revistas com menos frequência (24% contra 18%). Já as donas de casa europeias, da classe média, poupam dinheiro em alimentos e bebidas (48%), limitam as despesas com roupa e calçado (47%) e vão a cafés (43%), restaurantes (46%) e cinema (45%) com menos frequência.

Crise fez com que portugueses se virassem mais para a poupança e menos para o consumo

Público, 19.03.2010

Portugal é um dos quatro países europeus onde as intenções de poupança foram superiores às intenções de aumentar a despesa, em 2009, o que teve como origem o clima de crise económica, indica o estudo anual O Observador, dedicado às intenções de consumo na Europa. “Pela primeira vez em dez anos, as intenções de poupança são superiores às intenções de consumo em quatro países: Espanha, França, Itália e Portugal”, conclui o estudo ontem divulgado, realizado pelo Cetelem, banco de crédito ao consumo do BNP Paribas, com base num inquérito a 8000 pessoas em 12 países europeus, realizado no final de 2009. Entre os portugueses inquiridos, 45 por cento disseram que têm intenção de subir as suas poupanças, contra 41 por cento que pretendem comprar mais produtos. Os consumidores nacionais destacam-se também entre aqueles que mais acreditam na mudança da forma como fazem compras, de forma duradoura, devido à crise actual (ver gráfico). Com efeito, 74 por cento dos inquiridos estão convencidos de que os comportamentos vão passar a ser outros, mesmo depois de retomado o crescimento económico. As mudanças de hábitos não se traduzem, todavia, em más notícias, salienta o estudo. Uma das novas tendências parece ser o consumo de produtos ecológicos, alguns dos quais já bem enraizados no mercado nacional. É o caso da utilização de papel reciclado (75 por cento dos inquiridos portugueses afirmam que já o fizeram, a maior percentagem dos 12 países), da compra de produtos biológicos ou da aquisição de um automóvel que se considera não-poluente. Já a fidelidade a uma marca, devido a vantagens como a oferta de saldos bonificados ou de talões de redução, é um hábito pouco comum no mercado nacional de consumo face aos outros países. Os italianos e os húngaros, por exemplo, são fáceis de seduzir por saldos bonificados (85 por cento nos dois países confessam que esta facilidade influenciou a respectiva fidelidade a uma marca). Em Portugal, são 61 por cento aqueles que cederam ao charme desta estratégia, contra uma média global de 73 por cento. Nos talões de redução, a tendência é igual: 61 por cento de adeptos nacionais, contra 82 em Itália e uma média de 70 por cento.

44% dos portugueses não estão preparados para despesas inesperadas

Hiper Super, 19 de Abril de 2010 às 16:08:37 por Victor Jorge

De acordo com o estudo realizado pela TNS em associação com professores daHarvard Business School e do Colégio Dartmouth, sobre “Literacia Financeira e Comportamentos Financeiros de Risco”, metade dos consumidores em muitos dos países desenvolvidos lutam para fazer face a despesas inesperadas. A análise realizada mostra que muitos dos consumidores, particularmente em Portugal, Reino Unido, Estados Unidos da América, Alemanha e México, não possuem actualmente recursos para fazer face a despesas inesperadas, como sejam uma súbita reparação do carro ou da casa ou ainda outros gastos menores relacionados com a saúde. Em Portugal, quase metade dos inquiridos (44%) referiu que não teria possibilidade de pagar uma despesa inesperada de 1.500 euros, nos próximos 30 dias. Já os luxemburgueses são os que se mostram mais confiantes, com 9 em cada 10 entrevistados a assumirem ter condições para avançar com dinheiro nesta situação. Em Itália, Holanda e Canadá cerca de 7 em cada 10 entrevistados mostram-se igualmente confiantes perante a possibilidade de enfrentarem uma despesa inesperada. Este cenário é similar para americanos, ingleses ou alemães que referiram que não teriam capacidade para avançar com este valor, independentemente de este ser proveniente de poupanças, empréstimos, amigos ou familiares. O México apresentou o pior cenário com 58% dos inquiridos a referirem serem incapazes de encontrar fundos para fazer face a este tipo de despesa. Para Peter Tufano, da Harvard Business School, “estes números não são apenas reflexo do desemprego ou do número crescente de agregados familiares com menores rendimentos. Em muitos países existe uma fragilidade financeira generalizada, com um número significativo de consumidores da classe média extremamente vulneráveis a emergências financeiras súbitas”. As poupanças são o primeiro recurso para ir buscar fundos de emergência na maioria dos países inquiridos, sendo o recurso mais provável na Holanda (89%) e no Luxemburgo (86%) mas também para cerca de metade dos respondentes na Alemanha, Estados Unidos da América, Reino Unido, Canadá e Portugal. Não surpreende pois o facto de serem o Luxemburgo, a Holanda e o Canadá, os países com maior incidência de consumidores com conta poupança. As redes sociais informais são também um recurso predominante na procura de ajuda para fazer face a despesas inesperadas, em alguns países, avançando o estudo da TNS que “em Portugal, a família é a segunda fonte mais indicada, com 25% dos indivíduos a admitirem o recurso à mesma em situações de emergência financeira”. No entanto, os números do estudo indicam que “apenas 8% dos portugueses consideram recorrer aos amigos para fazer face a este tipo de despesa”. O recurso à família está também presente na Alemanha, Reino Unido, França e Estados Unidos da América, com cerca de 30% dos respondentes a mencionarem esta fonte. Embora a omnipresença dos cartões de crédito seja visível no estudo, os inquiridos não esperam recorrer ao crédito para fazer face a uma despesa inesperada. “Cartões de crédito e um segundo emprego não são opções populares para resolver ou lidar com emergências financeiras deste tipo”, conclui o estudo. Em Portugal apenas 8% dos inquiridos referiram recorrer ao cartão de crédito como forma de resolver a situação. Já o Canadá (28%), o Luxemburgo (27%), os EUA e o Reino Unido são os países que apresentam maior número de inquiridos (cerca de 20%) com propensão para utilizar cartões de crédito. Para os portugueses também o segundo emprego como fonte de rendimento extra não é uma opção muito válida, num contexto de emergência económica (15% dos inquiridos). Em Portugal vender pertences é apenas indicado por 4% dos inquiridos e vender a casa não faz parte das opções a considerar na resolução de uma emergência financeira. Este estudo foi realizado em 14 países, tendo uma amostra total de 14.693 indivíduos. Em Portugal o estudo foi realizado pela TNS, que entrevistou 1.011 indivíduos com 18 anos ou mais, representativos da população portuguesa, com os dados a ser recolhidos em Julho de 2009, através de entrevistas telefónicas.

Famílias já cortaram no consumo este ano e vão cortar mais em 2011

Público, 17.11.2010 
Gastos nos super e hipers caíram 2,6 por cento até Setembro
O consumidor português já não é o que era. Está a ir menos vezes aos super e hipermercados, aos centros comerciais, às lojas de roupa ou aos postos de combustível. Tornou-se mais racional e prudente, trocando o restaurante pela cozinha e levando mesmo os restos do jantar para o trabalho no dia seguinte. O ambiente de crise induziu um corte na maior parte dos gastos, mas em 2011 o cenário deverá ser pior.De acordo com um estudo da Kantar Worldpanel, que foi ontem apresentado e tem por base um painel de 3000 lares portugueses, um quarto das famílias acredita que, no próximo ano, estará em pior situação do que neste, o que irá refrear o consumo e acentuar as mudanças nos hábitos de compra. Este ano, apenas 13 por cento diziam estar em pior situação do que em 2009. A pesar sobre o sentimento dos consumidores está a situação económica nacional (que 95 por cento classificam de má) e o desemprego (visto por 62 por cento como o principal problema do país). A isso soma-se o impacto que as medidas de austeridade previstas no OE do próximo ano vão ter ao nível do rendimento disponível dos portugueses. A maior parte dos economistas está a antecipar uma quebra significativa do consumo privado no próximo ano, o que empurraria a economia para uma nova recessão.
Cortar mesmo sem razão
“Os consumidores estão a ir menos vezes às compras, mas compram mais de cada vez”, explica Paulo Caldeira, responsável da empresa líder em estudos de mercado, salientando que isso é um “sinal de maior planeamento e racionalização dos actos de compra”. Ao mesmo tempo, estão a consumir mais dentro do lar e a fazer comida em casa para levar para o trabalho, uma tendência “que se vai manter ou aumentar em 2011″, considera Paulo Caldeira. Até Setembro, os gastos com produtos de grande consumo (162 euros mensais, em média) caíram 2,6 por cento. Em 2011, essa queda deverá chegar aos cinco por cento, e isto num contexto de preços bem diferente. É que, este ano, a descida no valor das compras de bens alimentares e produtos de higiene e beleza reflecte não só a diminuição do volume de compras (menos 1,3 por cento), mas também a própria descida de preços, que foi em média de 1,6 por cento e mais forte nos produtos frescos. Esta redução dos preços, acompanhada de taxas de juro ainda baixas, poderá ter sido uma das razões que fizeram com que 16 por cento dos consumidores se sentissem em melhor situação este ano do que no ano passado. No entanto, em 2011, os preços vão voltar a subir, o que poderá retrair ainda mais o consumo ou, pelo menos, estimular a procura por produtos mais baratos e, nomeadamente, de marca branca (ver texto ao lado). Tal como já tinha acontecido no ano passado, mais de metade das famílias inquiridas retraiu o consumo sem precisar. O inquérito mostra que 73 por cento dos consumidores sentem a crise, mas que, destes, só cerca de 19,2 por cento têm realmente razões para o fazer. Este grupo é o dos “impactados”, que dizem ter dificuldade em cobrir as despesas essenciais. Mas há outros dois grupos que apenas economizam por precaução (24,4 por cento) ou por influência do ambiente económico e social (55,8), o que significa que, na prática, não tinham razões objectivas imediatas para o fazer. Além de estarem a cortar nos bens de consumo corrente, as famílias reduziram também a frequência de compras nos centros comerciais (menos 2,9 por cento), nas lojas de roupa (menos 13,5 por cento) e nos postos de combustível (menos 16,7 por cento). No sentido contrário segue a taxa de poupança, que passou de 6,4 por cento em 2008 para 11 por cento este ano.

Estudo: Cortar em tudo… menos em viagens

24 de Abril de 2013 às 16:51 por Ruben Obadia, Ambitur

De acordo com um estudo realizado pela eDreams, apesar da crise os europeus não estão dispostos a abdicar de viajar. No estudo “Viajar em tempos de crise. Tendências de viagem na Europa no actual contexto económico” participaram mais de 2.500 espanhóis, italianos, franceses, portugueses, ingleses e alemães, que reconheceram ter alterado os seus hábitos de consumo desde o início da crise. Estas mudanças notam-se antes de cortar nas férias: a maioria já disse preferir poupar em roupa (25%) e em dispositivos tecnológicos (21%) em vez das viagens.

Se antes da crise a maioria das reservas online eram feitas à última da hora, agora já 44% dos viajantes diz assegurar a sua reserva com cada vez mais antecedência para encontrar os melhores preços, e apenas 22% deixa para a última hora. Por outro lado, mais de 70% assegura procurar ofertas e promoções antes de se decidir, uma tendência em maior evidência em Portugal (84%) e menos habitual em países como a Alemanha (22%).

Durante a viagem, as compras é a primeira área a ser cortada, (24%), seguida da poupança nos voos (21%), comidas e restaurantes (20%). O alojamento, porém, é um dos factores onde os turistas europeus ainda não estão dispostos a cortar, com 65% dos viajantes a reconhecem ter ficado alojados num hotel.

Quanto a destinos, as cidades de África do Norte registaram um crescimento constante durante os últimos quatro anos. As mesquitas, os mercados de rua e o colorido de Tunes, Casablanca, Marraquexe e Istambul foram ultrapassados pelas cidades latino-americanas e Nova Iorque, destinos bastante procurados até há quatro anos. Na Europa, Londres ultrapassou Paris ocupando agora o topo do ranking de cidades preferidas, seguidas de Barcelona e Madrid. Lisboa surge em sétimo lugar, uma posição que se mantém inalterada desde 2008.

JUMBO REFORÇA APOSTA NA VENDA AVULSO

A Campanha Avulso, lançada pela Auchan Portugal, regressa aos hipermercados Jumbo até 8 de Abril.
1 Abril 2013, HiperSuper

O objectivo da retalhista é reforçar a prática de venda avulso em diversos produtos alimentares e não-alimentares. No Jumbo “Eu quero, posso e escolho com conta, peso e medida”, é a frase que dá mote à promoção de chás, cafés, especiarias, bombons, frutos secos, loiças e plásticos, entre muitos outros artigos. Até no caso dos ovos, a venda é feita à unidade. Esta campanha “oferece uma compra adaptada às reais necessidades, gerando maior poupança e evitando desperdícios, além de contribuir para uma melhoria do meio-ambiente”. A campanha decorre nas lojas de Alfragide, Amadora, Alverca, Cascais, Almada, Faro, Maia, Matosinhos e Aveiro, ficando de fora os restantes 13 hipers Jumbo que a retalhista Auchan detém em Portugal.

O marketing e os descontos: risco ou desafio?

Briefing, 03 Janeiro 2013
 O marketing e os descontos: risco ou desafio?  “A mensagem que fazemos chegar ao cliente é cada vez mais uma só: compre mais barato! Que consequências devemos esperar deste posicionamento? Podemos confiar que o consumidor percepciona a qualidade numa dimensão dissociada do preço? E, mais importante ainda, algum dia poderemos recuperar as nossas marcas desta limitação e voltar a comunicar preço alto como um atributo que define a qualidade da oferta?”. São questões levantadas pela diretora de Marketing do ClubeFashion, Diana Castello Branco, num artigo de opinião para o Briefing.
 “Num tempo marcado pela incerteza dos rendimentos e pelo apelo à poupança e à austeridade, todas as propostas associadas a descontos e a promoções têm ganho um grande impulso junto do consumidor.   Os clientes estão cada vez mais informados, e no momento de escolha e de decisão, ganha vantagem a oferta que se apresentar como a mais barata, a mais em conta, a de preço inferior. Não é por isso surpreendente a multiplicação de anúncios, de jingles, de mailings e de montras com a palavra “desconto” em grande destaque.  Mais de dois milhões de pessoas recebem uma newsletter diária do ClubeFashion, portanto já existe uma grande afinidade pela marca de Norte a Sul do país, mas, mais do que nunca, o que define a escolha final do consumidor é o preço, e as ofertas adicionais como, por exemplo, “pague 2 e leve 3”, “50% de desconto em cartão ou em talão”, “ganhe um voucher para nova compra”, etc.
Para os profissionais do Marketing, esta realidade representa, em simultâneo, um desafio e um risco. Sendo o preço um dos principais elementos do Marketing Mix que nos permite definir as condições da proposta de valor que apresentamos ao mercado e que distingue a nossa oferta da concorrência, saber que o preço é a principal condicionante da escolha pode ser extremamente redutor para a imaginação e para a capacidade de ser original e de surpreender o consumidor. Por outro lado, dependendo das características do produto ou do serviço que estamos a promover, o facto de termos que comunicar preço como característica principal pode ser um desafio aliciante, que obriga à gestão de um equilíbrio muito sensível entre o que é a imagem aspiracional da oferta e um call to action imediato que impulsiona a compra e gera negócio.
Como directora de marketing do ClubeFashion – o maior site de comércio electrónico nacional do seu segmento, que todos os dias promove campanhas das marcas de moda mais desejadas a descontos flash até -90% – deparo-me diariamente com esta dualidade. No coração do nosso site está sempre presente a comunicação do desconto especial e temporário. E isto cria-nos um dilema: como aliar na comunicação da nossa oferta estes dois elementos – o aspiracional (a marca de referência, trendsetter e inacessível) e o concreto (a marca acessível de imediato porque garantimos aos nossos membros um desconto que torna a compra possível)?
Até há pouco tempo, esta questão poderia ser um exclusivo dos responsáveis de marketing de empresas como o ClubeFashion – que assentam o seu negócio em propostas de grandes descontos para determinado tipo de produtos de preço elevado. Mas, cada vez mais, percebemos que o dia-a-dia dos profissionais do marketing das mais variadas empresas se centra na definição de estratégias que comunicam qualidade aliada a desconto. Quer seja a oferta de uma noite num hotel exclusivo de 5 estrelas, de um vinho reserva premiado ou de uma carteira de design exclusivo, a mensagem que fazemos chegar ao cliente é cada vez mais uma só: compre mais barato! Que consequências devemos esperar deste posicionamento? Podemos confiar que o consumidor percepciona a qualidade numa dimensão dissociada do preço? E, mais importante ainda, algum dia poderemos recuperar as nossas marcas desta limitação e voltar a comunicar preço alto como um atributo que define a qualidade da oferta? O tempo o dirá…”
Diana Castello Branco
Diretora de Marketing do ClubeFashion

Educação financeira

24/05/11, 00:28
Ana Santos Gomes / OJE

O Instituto de Seguros de Portugal, o Banco de Portugal e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários vão participar na concepção de um Plano Nacional de Formação Financeira que prevê a melhoria dos conhecimentos dos portugueses em diversos assuntos relacionados com finanças pessoais.
O plano foi recentemente aprovado pelo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros e deverá contribuir para elevar o nível de conhecimentos financeiros da população, de forma que os portugueses estejam mais bem preparados para adoptar comportamentos financeiros adequados à crescente complexidade e diversidade dos produtos financeiros actualmente disponibilizados no mercado, evitando a propagação de situações de investimento em produtos inadequados ao seu perfil de risco e também situações de sobreendividamento das famílias, sabendo-se já que muitos destes casos estão associados a falta de conhecimento sobre os produtos financeiros contratados. Além de melhorar o conhecimento e as atitudes financeiras dos portugueses, o Plano Nacional de Formação Financeira deverá também apoiar a inclusão financeira, desenvolver hábitos de poupança, promover o recurso responsável ao crédito e criar hábitos de precaução contra práticas ou situações de risco, reconhecem as três entidades envolvidas no projecto. O plano irá ser desenvolvido em cinco anos, até 2015, prevendo a curto prazo a disponibilização de um portal de literacia financeira, que será desenvolvido em conjunto pelos três reguladores financeiros, e que deverá contemplar conteúdos formativos e informações relevantes sobre iniciativas desenvolvidas no âmbito deste plano. Já a médio e longo prazos, o plano prevê também a sensibilização da população portuguesa para a informação financeira e identifica matérias dirigidas a segmentos específicos da população, em que estão incluídos os estudantes do ensino básico e secundário, os estudantes universitários, os trabalhadores e ainda alguns grupos vulneráveis, como a população desempregada.
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