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Hey there! O que vale o WhatsApp para as marcas?

Briefing, quinta, 23 agosto 2018 12:51

Foi pensado como uma forma simples, de confiança e segura de comunicar com familiares e amigos. Mas os mais de mil milhões de utilizadores diários tornaram-no apetecível para as marcas. Pela facilidade de comunicação que permite, o WhatsApp começa, assim, a ser uma ferramenta na estratégia de aproximação ao consumidor. Ainda que os resultados sejam pouco convertíveis e com o risco associado a uma maior exposição da marca, como alerta o diretor de Business Strategy da Isobar, David Reis.

Hey there! O que vale o WhatsApp para as marcas?

Apesar de a facilidade de comunicação estar a atrair marcas, o WhatsApp é ainda um território inexplorado. E a explicação – segundo David Reis – reside no facto de ser um espaço restrito de comunicação onde as marcas “têm que ser convidadas a entrar”. Mas isso é também o que torna esta menssaging app “especial e diferente”  de qualquer outro tipo de canal de comunicação, com “níveis de interação muito superiores à maioria das plataformas existentes”. Estas políticas de privacidade fazem com que seja o utilizador a ter que contactar a marca, caso contrário, esta pode “ser percecionada como spam, o que coloca em risco a sua imagem e posicionamento”. Mas o grande potencial está precisamente no facto de, sendo one-to-one, permitir uma maior proximidade com o utilizador.

O WhatsApp tem sido utilizado pelas marcas de formas distintas, por um lado, através do apoio ao cliente, por outro, em campanhas. Segundo David Reis, o primeiro caso é o mais utilizado; no que toca às campanhas, embora existam algumas acções testadas, todas elas apresentaram timings bastante curtos, uma vez que a automatização de bots para o WhatsApp não é encorajada da mesma forma que é para o Messenger do Facebook.

Realça ainda que, se a marca pretende abrir um canal de comunicação como este, deve estar preparada para lhe dar o devido foco e nível de envolvimento. Assim sendo, terá de estar consciente de que esta ferramenta implica uma personalização das mensagens e a resposta em real-time, logo um grande nível de explosição. Mas, “quando corretamente planeada e implementada” em planos de comunicação, a utilização do WhatsApp pode criar níveis de ligação emocional com a marca que “dificilmente outro canal conseguirá obter”.

Ainda assim subsiste a dificuldade da medição do retono: uma vez que a utilização pelas marcas é recente, as métricas para avaliação da sua eficácia ainda são pouco consensuais e muitas delas estão por definir, o que pode dificultar a análise das marcas sobre a sua importância. “Se o objetivo da campanha se focar no awareness ou no engagement estabelecido com os utilizadores, o número de contactos obtidos, o número de interações (mensagens enviadas) e o buzz criado pela campanha nas diversas redes sociais são métricas passíveis de ser avaliadas e que deverão ser tidas em consideração. Caso seja uma campanha que requer uma ação específica por parte dos utilizadores, deverá ser avaliada como se avalia uma campanha com objetivo de conversão (custo total investido / nº de conversões originadas)”, contextualiza.

Este artigo pode ser lido na íntegra na edição impressa da Briefing.

briefing@briefing.pt

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Jornal Público vai permitir assinaturas a troco de atenção para conteúdos das marcas

MeiosePublicidade, por a 16 de Maio de 2017

Não pagar mais pelo Público é a proposta do diário da Sonaecom, que se juntou à Paytime para permitir a assinatura do jornal a troco de atenção para conteúdos das marcas. O Paytime, explica o diário liderado por David Dinis, “torna possível fazer uma assinatura do Público sem pagar um tostão”, bastando para isso “dedicar algum tempo para assistir a conteúdos livremente seleccionados, mantendo o total controlo sobre a gestão do tempo de visualização dos mesmos”. Para isso, o leitor começa por responder a um questionário anónimo cujo objectivo passa por informar quais as marcas e anúncios que podem considerar relevantes, escolhendo “os anúncios que pretende ver, sem que nenhuma marca entre em contacto consigo, e pode visualizá-los quando quiser”. “Depois de assistir ao anúncio, deixa uma opinião para que a marca saiba o que pensa a seu respeito e do anúncio visualizado”, explica o jornal. O tempo de visualização do anúncio é depois registado e convertido numa assinatura digital do jornal.

“Co-criação” de produtos entre marcas e ‘millennials’ para os fidelizar

lojas do futuroOs ‘millennials’ (consumidores dos 20 aos 35 anos de idade) são consumidores pouco fieis às marcas. 66% não acompanha nenhuma insígnia da distribuição, procuram informação online e compram de igual forma em loja e no digital. O que fazer para os fidelizar?

O que os ‘millennials’ mais privilegiam nas marcas passa pelos “valores” das mesmas, a “autenticidade e honestidade”. Para estes consumidores “pouco fiéis”, uma marca deve incrementar a qualidade de vida, pelo que lhes exigem “pragmatismo, honestidade e transparência”, de acordo com as conclusões do evento “Grande Consumo: tendências e segmentos chave”, organizado pela consultora GFK e a Associação de Marketing de Espanha. Citados pela Inforetail, os especialistas deram conta que 65% destes consumidores admite que “seria mais leal se as marcas lhes permitissem colaborar na criação dos produtos e na sua gestão”. Uma vez que esperam que os produtos simplifiquem a sua vida e lhes ofereçam soluções, os ‘millennials’ consideram que a “co-criação” seria uma forma de interação que culminaria na otimização dos produtos. O que não acontece a nível global: “a maioria dos consumidores não se importaria que 74% das marcas desaparecesse”. Apesar de ser “100% omnicanal”, com acesso constante à informação, 56% desta geração considera que a loja física continua a ser importante, devido ao contacto com o produto. Segundo o estudo da Havas Media “Meaningful Brands 2015”, que analisa a relevância das marcas junto dos consumidores, menos de 28% das marcas contribuem para melhorar a qualidade de vidas das populações. Entre os ‘millennials’, 60% não se importa de pagar mais por um produto de alta qualidade. Esta geração privilegia também a customização e são movidos mais pela felicidade do que pelo dinheiro. Querem que as marcas tenham um impacto positivo na sociedade e, para 75%, as marcas deveriam melhorar a sua qualidade de vida e bem-estar.

16 de Novembro de 2015 por Ana Catarina Monteiro, HiperSuper

74% das marcas podia desaparecer (e ninguém sentia a falta)

Marketeer Online, 07/05/2015

Os portugueses não sentiriam a falta de 74% das marcas se estas desaparecessem amanhã. Esta é uma das conclusões do estudo Meaningful Brands Portugal 2015 do Havas Media Group que analisou as respostas de 11.200 pessoas sobre 96 marcas de 11 sectores diferentes. Um número que, de resto, é exactamente igual ao resultado global do mesmo estudo que foi realizado através do inquérito a 300 mil pessoas, de 34 mercados, 12 sectores diferentes e tendo em consideração mais de mil marcas.

Aliás, os portugueses acreditam que apenas 30% das marcas melhoram a sua qualidade de vida e bem-estar, um valor ligeiramente superior quando comparado com os 28% do estudo a nível global. Estes resultados têm-se mantido estáveis nos últimos anos, demostrando a elevada desconexão entre as marcas e as pessoas, salientou Rui Almeida, Data & Consumer Insights Director Havas Media Group. «Traduzem a crescente incapacidade das marcas acompanharem a evolução das expectativas dos consumidores que, para além do simples usufruto do respectivo produto ou serviço, esperam hoje das marcas um conjunto de papéis muito mais alargado».

A confiança dos consumidores nas marcas a nível global é escassa ficando-se pelos 50%. No entanto, se os dados forem analisados região a região consegue-se perceber que a referida confiança nas marcas é mais elevada em regiões em vias de desenvolvimento – como a América Latina (69%), Médio Oriente (79%) e Ásia Emergente (83%) – é menor em regiões mais desenvolvidas como a Europa e a América do Norte (22%). Rui Almeida salienta que este facto se explica com o carácter aspiracional de que as marcas se revestem ainda nos países em desenvolvimento e que foram progressivamente perdendo naqueles mercados onde já estão disponíveis há mais tempo. Nos mercados mais desenvolvidos tem-se verificado uma evolução nas mentalidades por parte dos consumidores que estão a virar-se de uma lógica consumista para a lógica frugalista, focando-se naquilo que é mais autêntico, explica o mesmo responsável.

Nestlé, Mimosa e Continente

Nestlé, Mimosa e Continente são as marcas mais relevantes para os portugueses. Seguem-se no ranking Pingo Doce, Danone, Google, Oliveira da Serra, Nivea, Olá e Microsoft.

Rui Almeida comenta: «As marcas com melhores resultados em Portugal são aquelas que são capazes de acompanhar a importância das principais dimensões (que traduzem as expetativas dos consumidores), com uma boa performance percecionada nesses mesmos aspetos. São aquelas que compreendem a evolução das necessidades e dos valores dos consumidores e respondem à sua nova escassez – tempo, atenção, confiança – assumindo um papel alargado na vida das pessoas e das comunidades que ultrapassa em muito o benefício do produto. Estas marcas tornam-se imprescindíveis, não só pelo que representam, mas pelo propósito relevante que colocam em prática.»

O Meaningful Brands – a métrica de força de marca do Havas Media Group – é o primeiro estudo global que mostra como a qualidade de vida e bem-estar se relacionam com as marcas a nível empresarial. O estudo determina a relevância das marcas junto dos consumidores com base numa metodologia proprietária desenvolvida pelo Havas Media Group, na qual o Meaningful Brand Index (MBI) é o indicador usado para o cálculo global da relevância das marcas, a partir da análise de 13 dimensões e 56 atributos, que incluem vários aspetos da proposta de valor do produto/serviço (Marketplace), bem como a avaliação do contributo da marca para o bem-estar pessoal e colectivo.

De todas as marcas, a CP é a marca que mais cresceu em MBI de 2013 para 2015. É também a marca com quem as pessoas registam um maior envolvimento, logo seguida dos CTT e da TAP. Já a Google, Microsoft e EDP (por esta ordem) são as marcas que os consumidores declaram que mais contribuem para a qualidade de vida.

Dos onze sectores analisados, aquele que é considerado mais relevante é o de transportes, logo seguido de alimentação, bens de consumo e media. A alimentação e o retalho, ambos com grande protagonismo na vida quotidiana dos consumidores, continuam a ser bem valorizados quanto à sua relevância. O sector considerado menos relevante é o sector Financeiro e Seguros.

Ranking de Marcas e de Sectores

Top 15 marcas mais relevantes em Portugal

1 Nestlé

2 Mimosa

3 Continente

4 Pingo Doce

5 Danone

6 Google

7 Oliveira da Serra

8 Nivea

9 Olá

10 Microsoft

11 Samsung

12 CP

13 CTT

14 Nike

15 TAP

Marcas mais relevantes por sector em Portugal

Automóvel – Volkswagen

Bebidas – Compal

Energia – EDP

Financeiro & Seguros – Montepio

Alimentação – Nestlé

Media – Google

Retalho – Continente

Tecnologia – Samsung

Transportes – CP

Equipamento – Nike

Bens de consumo – Nívea

Ranking sectores Portugal

1 Transportes

2 Alimentação

3 Bens de Consumo

4 Media

5 Retalho

6 Tecnologia

7 Entretenimento

8 Bebidas

9 Automóvel

10 Energia

11 Financeiro & Seguros

2015: Um ano de luxo?

Marketeer online, 12/02/2015

2015: Um ano de luxo?

Nos últimos 20 anos, o sector dos bens de luxo pessoais cresceu em média 6%. E prevê-se que 2015 seja um ano de luxo, tanto em Portugal como a nível mundial.

por Helena Amaral Neto, coordenadora do curso de Luxury Brand management do ISEG. Este texto foi publicado originalmente na edição de Janeiro de 2015 da Marketeer. Nota da autora deste blogue: convirá, sobre este tema, consultar a edição do The Economist de 13 de Dezembro de 2014.

Como se define luxo? Com a panóplia crescente de empresas e marcas que se atribuem este nome, a definição de luxo torna-se cada vez mais difícil de delimitar. O Sr. Bernard Arnault, presidente do império de luxo LVMH, define luxo como “a combinação de intemporalidade e modernidade que fazem das marcas um sucesso”. De forma mais pragmática, as consultoras Bain&Co e Altagamma aplicam uma regra simples: uma mala de luxo tem um preço superior a 850 euros. A noção de luxo está associada a uma história (muitas vezes ligada à personalidade do seu fundador), às características de qualidade e à percepção de exclusividade do produto ou serviço. A famosa mala Neverfull da Louis Vuitton, cujas vendas ascendem a centenas de milhares por ano em todo o mundo, pode ser considerada um objecto de luxo? Os puristas atribuem mais valor ao efeito raridade, e algumas marcas promovem activamente esta exclusividade. É o caso da Hermès, que tem listas de espera de mais de seis meses para os seus modelos Kelly e Birkin, apesar de produzir cerca de 70 mil Birkins por ano. Também na indústra automóvel, a percepção de “meta-luxo” é visível quando comparamos os 4000 Rolls-Royce produzidos anualmente com os 40 carros do “atelier” da italiana Pagani.

A definição de luxo tem mudado ao longo dos séculos, mas continua associado a excesso e extravagância. Com impactos positivos na economia, sobretudo a partir do liberalismo do sec. XVII, com defensores como Adam Smith e David Hume. A economia do luxo não deixa margem para dúvidas em relação à sua relevância e potencial: o numero de consumidores de produtos de luxo triplicou nos últimos 20 anos, de cerca de 90 milhões em 1995 para 330 milhões em 2014. A consultora Bain&Co estima que os consumidores de luxo vão chegar a 400 milhões em 2020 e 500 milhões em 2030. Uma verdadeira explosão do mercado de luxo mundial. Em termos de volume de vendas, as estimativas diferem consoante as definições do que deverá ser incluído neste sector. A Boston Consulting Group avalia as vendas de luxo de 2014 em 1,8 triliões de dólares, enquanto a Bain&Co apresenta um valor de 1,1  de dólares.

A maior categoria de vendas é lazer (que inclui hotelaria, restauração, cruzeiros, barcos, aviões), seguida do sector automóvel de luxo, e em terceiro lugar os bens de luxo pessoais – que engloba perfumaria & cosmética, joalharia & relojoaria, moda e acessórios, com vendas globais de 278 milhões de dólares em 2014. Nos últimos 20 anos, o sector dos bens de luxo pessoais cresceu em média 6%. Em 2014, a conjuntura aponta para um crescimento de 2%. O ano de 2014 foi marcado por uma quebra no consumo de luxo de alguns dos consumidores mais relevantes: os russos, no seguimento da guerra na Ucrânia e das sanções impostas à Rússia; os chineses (que representam um terço dos consumidores), devido à combinação de menor crescimento económico na China, as novas regras anti-corrupção e os protestos em Hong Kong; e os japoneses, com o aumento da carga fiscal.

O sector do luxo é um dos motores da economia europeia. Com um volume de vendas de cerca de 600 mil milhões de euros em 2013, representa 4% do PIB da União Europeia. O sector do luxo contribui com cerca de 1.7 milhões de postos de trabalho (directo e indirecto), e as marcas de luxo europeias exportam mais de 70% da sua produção, onde 18 das 25 principais marcas de luxo são europeias, principalmente francesas e italianas. Em França, a indústria do luxo remonta ao Rei Sol Louis XIV, cujo ministro Jean-Baptiste Colbert ativamente promoveu a manufactura de qualidade dos artesãos franceses e a exportação dos seus produtos. Este know-how colectivo dos produtores de luxo franceses continua protegido e dinamizado até hoje através do Comité Colbert. Dentro do luxo, há inúmeros modelos de negócio. O sector é dominado pelos grandes grupos, tais como a LVMH (detentora das marcas Louis Vuitton, Moet & Chandon, Bulgari, Guerlain, etc), a Richemont (com as marcas Cartier, Piaget, Van Cleef & Arpels, Net-a-Porter, entre outras), Kering (Gucci, Bottega Veneta, Yves Saint Laurent, etc) e Swatch (Breguet, Omega, Blancpain, etc).

Por mais paradoxal que pareça, também no luxo há economias de escala, o que permite alavancar as marcas inseridas nos grupos. Na relojoaria, onde o grupo Swatch tem uma quota de mercado de 45% do mercado suiço, é necessário um investimento inicial elevado e custos fixos altos, só possível com o músculo financeiro dos conglomerados. Outras vantagens da dimensão dos grupos incluem a diluição dos custos de distribuição e marketing, além das margens do retalho e do maior controle sobre as vendas. A Louis Vuitton tem mais de 460 pontos de venda próprios. Os custos de abertura de lojas representam um investimento elevado (p.ex. 20 milhões de libras para uma loja em Bond Street), além dos valores das rendas (pode chegar a 1 milhão de libras em Bond Street), possível para as marcas com a estrutura financeira de uma LVMH ou Kering. As marcas independentes, tais como a Hermès ou a Chanel, ambas pertencentes a famílias, seguem um modelo de negócio diferente. A Chanel oferece uma gama de produtos desde a alta costura à cosmética, com uma variedade de preços desde um baton de 30 euros à icónica mala 255 de três mil euros. A aposta é num crescimento orgânico, com enorme controle sobre a produção, qualidade e imagem da marca.

Os grandes desafios das marcas de luxo passam pela demografia e pela tecnologia. Os consumidores das próximas décadas são a geração Y (pessoas nascidas nos anos 80 e 90), cada vez mais informados e exigentes em relação ao consumo. Uma das marcas que melhor tem sabido aproveitar estas tendências é a Burberry, que definiu como foco da sua estratégia estes consumidores. Curiosamente, a CEO da Burberry foi recentemente recrutada pela Apple. A estratégia digital das marcas de luxo vai ser determinante para o seu futuro. O e-commerce de produtos de luxo está a crescer 25% ao ano, apesar de ainda representar uma fatia pequena das vendas globais. Um exemplo de sucesso é a Net-a-Porter, um site com mais de 600 marcas de topo, pertencente ao grupo Richemont. A própria Burberry está assumidamente digital, e trata o website e as lojas de rua como pontos de venda complementares. Toda a comunicação digital passa também pelas redes sociais, que alterou por completo a distância entre as marcas e os seus clientes – vídeos das colecções no Youtube, imagens dos produtos no Instagram e Pinterest, bloggers tratadas como celebridades, tudo contribui para a presença das marcas junto dos seus consumidores, tanto atuais como potenciais.

Em Portugal, o mercado de luxo continua em franco crescimento, estimado em cerca de 10% para 2014. Este crescimento deve-se em grande parte ao fluxo de turismo de topo, que tem alimentado, entre outros, o sector de retalho de luxo. De acordo com o Economist Intelligence Unit, Lisboa é o sétimo melhor destino de compras da Europa. As marcas de luxo internacionais continuam a reforçar a sua presença em Portugal, de forma bastante visível com as aberturas de novas lojas na Avenida de Liberdade. Nestes últimos dois anos, abriram mais de 20 novas lojas só nesta artéria da cidade, e estão previstas mais aberturas nos próximos anos. Também no sector imobiliário e automóvel de topo, as vendas em Portugal estão em níveis record.

Prevê-se um ano 2015 de luxo para o sector em Portugal e a nível global.

Já são conhecidas as Superbrands Portugal 2014

A Superbrands anunciou na quarta-feira as marcas de excelência no mercado português, eleitas pelos consumidores e pelo Conselho Superbrands, composto por um grupo de 15 personalidades das áreas de comunicação e marketing. As 34 “Marcas de Excelência” são a Ambar, American Express, Avon, Bimby, BPI, Branca de Neve, Caixa Geral de Depósitos, Cartuxa, Chicco, Clinique, Continente, CTT, EDP, Expresso, Lidl, MEO, Mercedes, Millenium BCP, Montepio, Multibanco, Oriflame, Remax, RFM, RTP, Sapo, SIC, Sport Lisboa e Benfica, Sporting Clube de Portugal, Tranquilidade, TSF, Visão, Vista Alegre e Worten. Já a marca distinguida com o Prémio de Solidariedade Superbrands, atribuido juntamente com a RTP+, foi a Operação Nariz Vermelho.

Marketeer online, 4 Dez 2014

10 marcas portuguesas de moda que já estão a dar que falar

17 de Novembro de 2014 às 16:47:12, por MEIOS & PUBLICIDADE

João Jacinto Freitas (Gentleman's Journal)

Ainda imbuído do tema da 43ª edição da ModaLisboa, Legacy, queria partilhar as recentes actualizações do nosso legado no campo da moda. Temos uma narrativa e uma história na producção e design de materiais que ultimamente se têm tornado em design de moda. Conseguimos passar de uma lógica de confecção e produção para uma construção de marcas de moda: qual a diferença? Uma lógica de design de moda portuguesa é algo que engloba a confecção mas a ultrapassa e projecta um plano, uma imagem e desenvolve brand awareness. Construindo assim marcas portuguesas e lançando a marca Portugal como marca de moda e não somente mão-de-obra.

Passamos a nomear 10 marcas emergentes que merecem ser seguidas com atenção (pode ser que muitas mais existirão, mas ficamos pelas 10 que fui descobrindo no trabalho de pesquisa para o meu site):

1. D’Ornellas Boots. Desenvolveu uma gama de botas para homem e para senhora, produzidas em Portugal pela mão de artesãos altamente especializados, garantindo assim padrões elevados de qualidade e a singularidade de cada peça. A marca nasceu da vontade de Gonçalo D’Ornellas e Vasconcelos, ganadeiro em Salvaterra de Magos, que procurou o melhor e mais confortável par de botas para si. Descobriu e começou a comercializar via net e Facebook em 2012.

2. Nelson Oliveira. É um jovem designer português que foi considerado Hot New Talent 2013 pela APICCAPS (Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos) e pela Academia de Design de Calçado CFPIC, participando com o seu trabalho numa exposição fotográfica no Portugal Fashion. Recentemente, com a sua última colecção Primavera Verão 2015, o designer recebeu em Düsseldorf o prémio GAPI Jovem Talento. A marca diferencia-se pela versatilidade e criatividade corajosa, apostando na afirmação de um estilo urbano e alternativo.

3. OceanStitch. Com o objectivo de “romper” com o que tradicionalmente se comercializa no vestuário masculino, surge a OceanStitch – Small Details From Oporto, concebendo peças orientadas (pólos, t-shirts etc) para homens urbanos, modernos, cosmopolitas, com bom gosto e que dão relevância aos pormenores. As peças reflectem um homem arrojado, divertido, trendy e atento ao que o rodeia. Foca-se no pormenor, fitting e qualidade das matérias-primas (proudly made em Portugal) – sendo este um dos pilares da marca. Esta marca nasceu em 2012 e é comercializada via internet.

4. Saccus. De desenho em desenho, protótipo em protótipo, as ideias iam nascendo e o plano de acção e posicionamento ganhava forma, até… que a Saccus nasceu. É uma marca criada em 2013 pelo designer Paulo Silveira Pereira, baseada numa ideia criativa de design contemporâneo, funcional, com peças exclusivas. A marca vai buscar a designação à palavra em latim para mala, “saccus”. Apresenta como lema “ingenium liberat animum” (a imaginação liberta o espírito), que sustenta a sua atitude jovem, livre e evolutiva. Apresenta uma colecção de malas, cintos, sapatos e algumas peças de vestuário.

5. Luís Carvalho. É um jovem designer. Participou em inúmeros concursos, em Portugal e no estrangeiro, e venceu o prémio para melhor coordenado masculino, no Acrobactic 2011. Foi voluntário na ModaLisboa, trabalhou nos ateliês de Filipe Faísca e Ricardo Preto como assistente, e geriu a loja de Lisboa de Miguel Vieira. Foi designer de moda na empresa Salsa Jeans, até decidir aventurar-se em nome próprio.

6. Najha. Foi criada por Daniela Sá em 2006, mas só em 2010 decidiu dar vida a este projecto. Inicialmente dedicou-se apenas à criação de bolsas. Mais tarde, diversificou o leque, passando a incluir calçado, cintos e chapéus. A Najha surgiu da junção de dois conceitos: moda e cortiça, conferindo uma filosofia eco-frendly. O projecto foi reconhecido pela revista de moda inglesa Drapers, em 2012, quando Daniela Sá foi nomeada para a categoria de Best Designer of the Year – Accessorie, tendo apresentado a marca e o conceito numa colecção destinada à própria revista, intitulada The Devil Wears Najha.

7. Bernardo M42. Chegou ao mercado em 2011 pela mão da fundadora e directora criativa Maria Lemos. A marca procura representar a tradição do trabalho artesão genuíno pelo seu reconhecimento a nível mundial e pela qualidade certificada de ser elaborada na região do Porto. A Always Shoes S.A. é a empresa-mãe por detrás da Bernardo M42. A Always Shoes nasceu em 1993, detendo ainda as marcas Catarina Martins e Rokin. Podemos encontrar na loja Linkstore (Embaixada no Príncipe Real).

8. Relyquia. Deseja afirmar-se como a nova marca de calçado de luxo, 100 por cento portuguesa. O legado de tradição e a mais alta manufactura artesanal, combinados com o design exclusivo e contemporâneo, permitem obter silhuetas com forte personalidade e intemporais. Todos os produtos da Relyquia são produzidos em Portugal e podem ser adquiridos via internet.

9. Retro P. É uma marca portuguesa, cheia de garra e que promete revolucionar o segmento dos óculos em Portugal. Chama-se Retro P e foi lançada pelas Ópticas do Conde Redondo, que possuem quatro lojas em Lisboa. Sete modelos de homem e de mulher já se encontram à venda. “Queremos produzir em Portugal e vender produtos portugueses. Pretendemos dar ânimo à economia nacional e provar que o que se faz cá é tão bom ou melhor do que o que se faz lá fora.” Foi com este espírito que as Ópticas do Conde Redondo resolveram abraçar o desafio, explica Hugo Frederique, porta-voz do grupo. Para a colecção, a marca inspirou-se nas linhas retro, seguindo as tendências dos designers internacionais. Foram criadas 18 armações, algumas “oversized” e com linhas marcantes. O preto e o castanho “animal print” são os tons dominantes.

10. Common Cut. O interesse demonstrado por dois amigos (Fernando Figueiredo e Frederico Rodrigues) pela moda levou-os a ter, desde cedo, o desejo de criarem uma marca própria de calçado. Os primeiros passos foram dados em Março de 2012 ao desenvolverem as primeiras peças personalizadas. Surgia assim a Common Cut, resultado de uma grande paixão pela moda e uma devoção à cultura da diferença. Reuniram ideias, conjugaram-nas e como resultado surgiu a colecção Primavera/Verão 2013, apostando também em parceiros/fornecedores nacionais, com capacidade para mil pares/dia. Também podem ser encontrados no site da marca.

Estas marcas falam da nossa capacidade e skills num mundo que aparentemente sempre relacionado com outros países como Itália ou França. A nossa imagem exterior tem de se afirmar como Portugal como um país elegante, produtor e designer da elegância explorando o nosso know-how. A estratégia passa por perder medo e um certo “reducionismo” de pensamento. Devemos pensar global e abrirmo-nos ao mercado exterior. E como fazê-lo? Reunir sinergias e perder as divisões que existem neste pequeno grande país.

Artigo de João Jacinto Freitas, director do site Gentleman’s Journal