Tag Archives: Portugal

As mulheres portuguesas mais poderosas nos negócios

E as mulheres portuguesas mais poderosas no mundo dos negócios são…

A Forbes Portugal elencou as 20 mulheres mais poderosas nos negócios. Na edição de novembro, que será lançada esta quarta-feira (dia 31), a Forbes Portugal publica a lista das portuguesas mais poderosas no mundo dos negócios. Tratam-se, como refere o comunicado enviado às redações, de mulheres “que moldam projetos à sua imagem, que deixam marca sem pedir licença, que gerem com brilhantismo milhões de euros e centenas de pessoas”. 
São investidoras, executivas, diretoras-gerais e presidentes-executivas de grandes empresas. São, em suma, mulheres que se destacam em setores proeminentes da economia portuguesa.

Este é o caso, por exemplo, de “Maria Ramos, uma economista luso-sul-africana que, desde 2009 lidera o ABSA Bank, o maior banco africano de Isabel Vaz, que em 2000 criou de raiz uma unidade de saúde para o Grupo Espírito Santo e que hoje lidera a Luz Saúde, que conta com 30 unidades de saúde; e de Isabel Mota, a primeira mulher a liderar a Fundação Gulbenkian, uma das maiores fundações filantrópicas do mundo com activos de três mil milhões de euros”.

Estas são as dez portuguesas mais poderosas no mundo dos negócios, sendo que amanhã poderá consultar as restantes dez na edição da Forbes:

1.    Maria Ramos

Presidente do ABSA Bank

2.   Paula Amorim

Presidente da Amorim Investimentos e Participações 

3.    Cláudia Azevedo

Presidente-executiva da Sonae (a partir de 2019)

4.   Isabel Mota

Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian 

5.    Isabel Vaz

Presidente do comité executivo do grupo Luz Saúde 

6.   Ana Meneres de Mendonça

Presidente da Promendo (detém posições na Altri, Cofina e F. Ramada e Altri)

7.    Inês Caldeira

Diretora-geral da L’Oréal Thailand

8.   Manuela Medeiros

Fundadora da Parfois

9.   Isabel Furtado

Presidente-executiva da TMG Automotive

10.Patrícia Bensaude

Presidente do grupo Bensaude
2018-10-30 12:38
Economia ao Minuto

76% das inovações de grande consumo em Portugal falham no 1º ano

MAIORIA DAS INOVAÇÕES NO GRANDE CONSUMO EM PORTUGAL FALHA NO PRIMEIRO ANO DE LANÇAMENTO

HiperSuper, Por  a 12 de Outubro de 2018 as 11:49

A inovação não é ainda um driver de procura global do setor de grande consumo em Portugal, conclui o estudo “Avaliação do Impacto Económico da Inovação no setor dos Fast Moving Consumer Goods”.

O estudo realizado em parceria pela consultora KPMG e pela Kantar Worldpanel para a Centromarca, Associação Portuguesa das Empresas de Produtos de Marca, revela que o setor está mais focado no preço do que na inovação.

Um total de 76% das inovações aplicadas no setor do grande consumo em Portugal falham logo no ano de lançamento, revela o estudo. “A inovação tem tido impacto no grande consumo, e consequentemente na economia nacional”, comenta Nuno Fernandes Thomaz, presidente da Centromarca, alertando, no entanto, que a inovação “não tem ocorrido em grau suficiente nem demonstrado capacidade de gerar uma influência decisiva no desempenho dos produtos”.

O estudo explica que a aposta em inovação apresenta riscos. “Exige das marcas do setor um investimento de 4% das suas receitas em novos produtos e o envolvimento de 6% dos seus colaboradores neste tipo de processo”.

Os iogurtes, os produtos para cabelo e os refrigerantes sem gás são as categorias onde as marcas têm apresentado inovação com bons resultados, revela a mesma fonte.

Onde vender artigos portugueses no estrangeiro

QUER VENDE ONLINE LÁ FORA? CONHEÇA OS CINCO PAÍSES COM MAIS POTENCIAL PARA PRODUTOS PORTUGUESES

Fonte: HiperSuper, Por  a 12 de Outubro de 2018 as 12:48


Reino Unido, EUA, França, China, Espanha e Alemanha são os países onde os produtos nacionais vendidos online têm mais oportunidades de singrar. As cinco geografias são, segundo um estudo encomendado pela ACEPI (Associação da Economia Digital) à IDC, os mercados para onde as empresas portuguesas devem apontar baterias e onde há maior potencial de adesão a produtos nacionais através do canal digital.

De acordo com o estudo “Top 20 Principais Economias na área do comércio eletrónico e de maior potencial de adesão aos produtos nacionais”, completam a lista Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Holanda, Índia, Itália, Japão, Marrocos, Polónia, Suécia, Suíça, Turquia e Rússia.

Estas 20 economias foram selecionadas tendo em conta três critérios: Exportação, riqueza e população e maturidade digital.

O estudo elege ainda os produtos com maior potencial de crescimento naqueles mercados. A saber: Produtos elétricos e eletrónicos, alimentação e bebidas, mobiliário e decoração, calçado e acessórios e produtos têxteis.

“São as categorias de produto mais vendidas online e cujas receitas representam mais de 15,9 mil milhões de euros, ou seja 32% do total de exportações”, lê-se nas conclusões do estudo.

Utilização da internet no telemóvel supera a do PC

Meios&Publicidade, por  a 12 de Setembro de 2018

A utilização de internet em Portugal mantém a tendência ascendente e alcançou este ano o seu ponto mais alto com 70,9%. Pela primeira vez, a utilização da internet via telemóvel (57,9%) superou a utilização em PC (55,2%). Os dados constam da última edição do Bareme Internet da Marktest, que dá ainda conta que 19.1% dos portugueses acedem à internet através do tablet. Destaque ainda para a subida do acesso à internet através da televisão (Smart TV), com 9,3%, e da consola de jogos (5,8%). “Estes valores evidenciam um maior crescimento em termos absolutos no telemóvel, seguido da TV e da consola, em detrimento do PC e tablet, tendência que se vem configurando nos anos anteriores”, refere o estudo da Marktest.

Metade da população mundial ligada à Internet mas acesso global só em 2042

Fonte: Dinheiro Vivo, 2018-03-12

Metade da população deverá estar ligada à Internet este ano, mas o acesso global só vai estar completo em 2042. Metade da população deverá estar ligada à Internet este ano, mas o acesso global só vai estar completo em 2042, avisa hoje o inventor da web, Tim Berners-Lee, a propósito das desigualdades existentes.

O cientista britânico, considerado o inventor da World Wide Web, considera que “a divisão entre as pessoas que têm acesso à internet e aquelas não têm aprofunda as desigualdades existentes, desigualdades que representam uma séria ameaça global. Num texto publicado para coincidir com o 29.º aniversário da Internet, refere que a falta de acesso afeta sobretudo o género feminino, habitantes de zonas rurais e de países menos desenvolvidos. “Estar ‘offline’ hoje é estar excluído das oportunidades de aprender e ganhar, de ter acesso a serviços importantes e de participar no debate democrático. Se não investimos seriamente na redução deste fosso, os últimos mil milhões [de pessoas] não estarão ligados antes de 2042. É uma geração inteira deixada para trás”, afirma.

A Fundação Web, uma organização que promove o desenvolvimento e acesso da Internet no mundo, foi criada por Berners-Lee e trabalha com a ONU, que em 2016 declarou o acesso à Internet um direito humano, ao nível da água potável, eletricidade, habitação e alimentação. Está associada à Aliança para uma Internet Acessível [Alliance for Affordable Internet], que declarou que todas as pessoas deveriam ter pelo menos um gigabyte de dados móveis, cujo custo ainda é primitivo para muitas pessoas no mundo. “O problema é que nem todos os atores nesta área estão a fazê-lo com a rapidez necessária e a tratar dos temas necessários para que o acesso não só aumente, mas seja também equitativo”, afirmou à agência Lusa a diretora executiva da Aliança, Sónia Jorge.

A igualdade digital, vincou a portuguesa radicada nos EUA, está ligada à inclusão de diferentes estratos sociais e género para que beneficiem das oportunidades da sociedade digital. “Não é só dar acesso, mas dar um acesso que depois facilite oportunidades e benefícios de forma igual para todas as populações e regiões. Hoje em dia existe uma grande diferença de acesso em várias regiões do mundo”, lamentou a especialista em regulamentação e cooperação internacional relacionada com tecnologias de informação e comunicação. O objetivo é que, em vez de completar o acesso universal à Internet em 2042, este possa ser feito antes e sem grandes diferenças. “Os desafios que temos de abordar não só são desafios do nosso setor, mas são desafios a nível de desenvolvimento global”, argumentou. Berners-Lee defende políticas e modelos de negócios que promovam o acesso da Internet aos mais pobres através de soluções de acesso público, como redes comunitárias e iniciativas públicas de Internet sem fios [wi-fi], de ações de formação dedicadas a mulheres, contrariando o domínio de certas plataformas.

Além do controlo que exercem sobre a circulação de informação e ideias, usam a sua posição para travar a concorrência, mas o britânico reconhece que algumas empresas, nomeadamente redes sociais como Twitter e Facebook, estão a tentar reagir, embora em conflito com a própria política de produzir lucro. “Um quadro legal ou regulamentar que responda por objetivos sociais poderia ajudar a aliviar essas tensões”, sugere o criador da Fundação Web, uma organização que promove o desenvolvimento e disponibilidade da Internet no mundo.

Por outro lado, questiona o modelo de negócio predominante da economia digital, que depende da publicidade para criar receitas, apelando à criatividade. “Quero que a Web espelhe as nossas esperanças e concretize os nossos sonhos, em vez de ampliar os nossos medos e de aprofundar as nossas divisões”, escreve Tim Berners-Lee.

Bernardo disfarçou-se de turista e viajou infiltrado pelo país

Quis olhar para o sector do turismo em Portugal como estrangeiro e, para isso, disfarçou-se durante um mês e meio. Bernardo Gaivão foi “Turista infiltrado” à saída do aeroporto ou visitas guiadas. Há clichés que se confirmam, garante, mas também boas surpresas

Texto de Ana Maria Henriques, P3, Público • 07/11/2017 – 11:23

“Disfarçado de polaco, argentino, inglês, espanhol e, volta não volta, de francês, decidi percorrer o nosso Portugal não só à caça das aldrabices, dos esquemas e das falcatruas, mas também dos casos de sucesso do nosso turismo.” Assim escreve Bernardo Gaivão no arranque do primeiro capítulo de Turista infiltrado, livro publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos no último mês de Setembro. O título da obra, da colecção Retratos da Fundação, não diz tudo — mas quase. O português de 29 anos viajou por Portugal durante cerca de um mês e meio, no Verão de 2016, e tentou vestir a pele de um turista estrangeiro. Falou em inglês ou em português macarrónico para não se denunciar, viajou em tuk tuks pelo centro de Lisboa, irritou-se com a falta de conhecimento dos guias no Porto e apaixonou-se pela zona de Tavira que, ao contrário do restante Algarve, “não vendeu tanto a alma ao turismo”.

Em entrevista ao P3 a partir de Washington D.C., nos Estados Unidos, o lisboeta admite que já perdeu a conta a quantos países visitou. Ser turista nas regiões portuguesas que já conhecia — e nas outras também — tornou-o num viajante mais atento aos pormenores. Mas houve alturas em que o disfarce caiu. Além destas histórias, Turista infiltrado reflecte um pouco do trabalho que Bernardo Gaivão leva a cabo na Academia Pordata, há já vários anos. O livro compila dados estatísticos sobre o turismo do sector em Portugal e levanta algumas questões, mais do que pertinentes por estes dias. “Para olhar para os dados tenho necessariamente que me lembrar outra vez que sou português.”

Como te tornaste num Turista infiltrado?

Planeava uma viagem ao Egipto com um grupo de amigos quando surgiu a discussão habitual: quais as prioridades? As pessoas costumam dividir o tempo pelo dinheiro e o dinheiro pelo tempo. Começamos, inconscientemente, a fazer comparações e paralelismos com Portugal. Já tinha escrito crónicas de viagem e pensei que seria giro fazer algo semelhante para Portugal. A ideia foi crescendo e tornou-se numa análise mais detalhada do sector do turismo, mas sempre do ponto de vista de quem nos vê de fora e não conhece as dificuldades ou os obstáculos, só vê o produto final. Do ponto de vista do cliente, no fundo.

A viagem enquanto falso turista correspondeu às tuas expectativas?

Sim e não. Sim, porque, em algumas situações, os problemas que achei que ia encontrar foram exactamente aqueles que encontrei. Onde as histórias e os clichés vivem de acordo com as expectativas, como o taxista que engana alguém a voltar do aeroporto e o restaurante que cobra um bocadinho mais quando se é turista. Enquanto um português se senta à mesa, pede uma imperial e vem uma imperial de tamanho normal, se for um turista inglês, por exemplo, é-lhe trazido logo uma caneca. Também fiquei surpreendido, em algumas situações, com a falta de cuidado, de profissionalismo, de método e de brio no trabalho que algumas pessoas tinham. O Algarve foi tal e qual como eu estava à espera que fosse, mas fiquei surpreendido com a zona de Tavira. Apesar de ser algarvia, não vendeu tanto a alma ao turismo.

Achas que o rápido crescimento no turismo pode explicar a falta de profissionalismo no sector de que falas? 

Grande parte do problema está aí. Não sei os números de cor, mas tenho ideia de que o sector do turismo cresce à volta dos 3% ao ano, a nível mundial. Em Portugal, nos últimos anos, tem crescido à volta dos 10%. Isto é uma subida grande e nem sempre temos a infra-estrutura preparada para a acompanhar. Quando olhamos para os operadores e para o nível de qualificação destes vemos que a grande maioria não tem qualquer tipo de qualificação para trabalhar no sector, nem sequer outro tipo de qualificação. Se olharmos apenas para os operadores turísticos e considerarmos a formação técnico-profissional e o ensino superior, a percentagem anda à volta dos 20%. Já no sector do enoturismo exige-se uma preparação um bocadinho melhor, não se consegue improvisar tanto, a percentagem de qualificação é mais alta e chega aos 50%. Por isso é que digo no livro que o sector do enoturismo surpreende pela positiva: estava mais bem preparado, mais cuidado.

Consideras que conseguiste ter o tal olhar “de fora para dentro” face a Portugal?

Em grande parte das situações, sim. Houve duas ou três ocasiões em que tive de deixar cair o disfarce porque não aguentava mais, já estava a ser tudo demasiado abstracto. Embora ache que consegui ter a perspectiva de quem está de fora e vê as cidades e as principais regiões turísticas com uma luz diferente, este detalhe em que entrei — olhar para os dados e tentar observar as tendências e perceber onde estava o problema — é um detalhe até onde um turista normal não vai. Nesse aspecto peco um bocadinho, porque não consigo ser imparcial. Para olhar para os dados tenho necessariamente que me lembrar outra vez que sou português.

O que te custou mais nesse disfarce?

No princípio foi tentar disfarçar a língua. Por muito bem que fale inglês ou castelhano, qualquer pessoa com um bocadinho de atenção perceberia que eu não era nativo. Tentava mascarar-me de alguma outra nacionalidade e falava inglês como segunda língua. Tinha medo de ser “apanhado”. Numa fase mais avançada tornou-se um bocadinho cansativo ter que estar sempre com a guarda levantada, arranjar uma solução diferente, mais ou menos criativa, para fazer check in nos hotéis. Se chego a hotel e tenho que revelar, como acabei por fazer em Évora, o que estava a fazer, isso pode comprometer o resultado final.

Qual a situação mais caricata que viveste?

A mais absurda e revoltante foi a história das caves do vinho do Porto: é completamente transcendente que um guia do Porto nunca tenha entrado numas caves. Mas o mesmo se poderia dizer dos guias de Lisboa; os dos tuk tuks, então, não fazem a mínima ideia do que estão a falar, não têm a mínima preparação. Lembro-me que em Évora tive um dia complicado. O hotel onde ia ficar estava fechado, não consegui ninguém que me ajudasse, estava a querer interagir com alguém que ajudasse um turista e ninguém o fazia. Fiquei bloqueado. Mas é mesmo assim: ou vamos directamente do shuttle do aeroporto para o hotel ou então não há um acompanhamento tão grande dos turistas em Évora como há em Lisboa ou no Porto, por exemplo.

És ou vais ser um turista diferente depois desta experiência?

Sim. Para começar, sou bastante mais crítico. Quando visitei Washington D.C., fiz duas ou três visitas guiadas diferentes e fiquei surpreendido porque é exactamente igual a Lisboa: estes tipos também não fazem a mínima ideia do que estão a fazer. Não sabiam em que ano foi fundada a cidade, não explicavam nada. Não teria reparado nisto se não tivesse feito o exercício em Portugal.

Onde começa a linha que separa uma cidade preparada para o turista e uma cidade menos autêntica?

Pegando no caso do Porto, conheci um dono do restaurante que, com um ar indignado, me dizia que já chega, como se fosse um botão que se liga e desliga. E algumas pessoas dizem que abrimos a caixa de Pandora e agora é impossível voltar a fechá-la. Mas as coisas não são assim tão preto no branco. Sim, temos de manter um bocadinho do que nos torna autênticos e únicos e que é a nossa tradição, mas não nos podemos esquecer do que era Portugal há dez anos e o que eram as zonas nobres das cidades do Porto e de Lisboa — degradadas, abandonadas, vazias — e que, graças a este fluxo de capital, estão reabilitadas. Não vale a pena refilar e pedir que alguém — “eles”, como se costuma dizer — faça isto ou aquilo. Quem faz somos nós, cidadãos, individualmente. Não há nada que o Turismo de Portugal ou o Governo possam fazer. Ao final do dia, nós é que escolhemos se trabalhamos com turistas ou com portugueses.

Logo no primeiro capítulo descreves o taxista que te transportou do aeroporto de Lisboa para o centro da cidade como “uma figura típica portuguesa, representação fiel do tradicional Zé Povinho”. Não tens receio de ter caído no cliché?

Quando estava a escrever o livro pensei exactamente nisso. Mas é mesmo verdade, os clichés nasceram de algum lado. Apanhei não sei quantos taxistas em Lisboa e não eram todos iguais. E, a bem dizer, hoje em dia, sendo turista num aeroporto, nem me enfiava num táxi, apanhava logo um Uber ou o metro. Há clichés, mas também há situações em que o cliché não é bem aquilo que eu procurava e o exemplo do Algarve é óptimo. Termino o livro a dizer que a região de que gostei menos foi o Algarve, porque vendeu a alma, mas a mais gira também foi o Algarve. É um paraíso no meio daqueles néons e da confusão da Estrada Nacional 125, há um espaço para respirar.

A diferença nos preços praticados e o cross selling não se associam muito ao turismo em Portugal, mas tu encontraste alguns exemplos. Surpreendeu-te?

Já estava à espera, mas, para ser honesto, só me aconteceu em Lisboa e em menor escala no Porto. Também tem a ver com a estrutura da viagem que fiz, pois quis experimentar pacotes organizados onde não há tanta abertura para outras coisas. No Alentejo levaram-nos a uma loja de cortiça, nitidamente uma acção de cross selling, mas foi a única. Não é muito comum em Portugal como é, por exemplo, no Egipto. Mas existe e é das piores coisas que me podem fazer em viagem.

Com que imagem de Portugal ficaram os turistas com quem te cruzaste?

Vou cair no cliché outra vez: todos dizem que a simpatia e a maneira como são recebidos são fundamentais. Só por isso queriam voltar. Depois falam do bom tempo e do vinho, mas, surpreendentemente, ouvi mais críticas à comida do que estava à espera. Dizem que comemos muitas batatas fritas e muito arroz, faltam legumes, o que será também uma característica dos restaurantes turísticos, mais presentes nas zonas históricas, e que não são os melhores (como sabemos). Esse foi o mito que quebrei. Realisticamente, duvido que a grande maioria volte, especialmente os da Europa do Norte. Na próxima vez vão procurar um destino diferente porque querem ver uma coisa nova. Apontam ainda o facto de sermos um povo carregado de histórias, muito orgulhoso.

Alguma vez te fartaste de turistas e de ser turista?

Quando cheguei ao Alentejo, encontrei uma pasmaceira tão grande em Arraiolos que, deitado numa rede, à sombra, só me apetecia ficar ali e descansar, sem me preocupar mais com camionetas, comboios, aviões, idas e chegadas, guias. Já estava farto de tudo. As conversas são sempre as mesmas, de circunstância; ao fim de uma ou duas semanas tornam-se cansativas. Muito.

Apostaste muito nos números e nas estatísticas. É um defeito profissional ou um interesse?

Ambos. Trabalhando na Pordata desde o início do projecto, claro que já tive de criar um amor pelos números. Caso contrário, estava tramado. O que acontece é que, infelizmente, grande parte dos números que existem sobre o turismo não estão disponíveis facilmente e não são rigorosos. É preciso uma Pordata só para o turismo, quase. Este foi logo o meu primeiro problema. Quando comecei a pensar na ideia do livro, por curiosidade fui à Pordata ver quantos turistas escolhem Portugal. Não existe um número e isso faz sentido. Se eu for passear à Madeira, sou um turista nacional, mas não vou ligar para o Instituto Nacional de Estatística a informar que vou. Como é que o Governo sabe que eu lá fui? Se calhar, pelos aviões — e o tipo de dados que temos é este. Conseguimos saber os números de hóspedes em hotéis, as visitas registadas pelos operadores e as receitas dos aparelhos turísticos. Se queremos melhorar a qualidade do nosso turismo, temos que apostar em dois factores: a transparência e os dados e análise. É um trabalho difícil, mas tem de ser feito. O turismo em Portugal continua a crescer, em geral também na Europa, e nós estamos na ponta da lança. Temos que dar o exemplo aos outros.

Números do turismo português em portal da Nos

Marketeer, 09/10/2017

Números do turismo português em portal da Nos

Quer saber qual a região portuguesa com os turistas mais digitais? E qual o período do dia em que Sintra é mais visitada? Estas e outras questões sobre o turismo em Portugal são respondidas na nova plataforma qua a Nos criou. Disponível no site da operadora de telecomunicações, o Portal de Informação Turística reúne um conjunto de dados estatísticos e informações analíticas sobre um dos sectores com maior crescimento no País. Desenvolvido com o apoio do Turismo de Portugal, o portal permite aceder a “informação relevante sobre a presença de turistas estrangeiros e a previsão da procura de Portugal como destino turístico”. Todas as informações disponibilizadas têm por base indicadores agregados e anónimos da actividade turística em vários pontos do País: Pressão Turística, Densidade Turística, Diversidade Turística, Diversidade de Divisas, “Weekenders”, Atracção Almoço/Jantar e Retenção Nocturna são as categorias que já podem ser exploradas. «Com esta plataforma, pretendemos reforçar o posicionamento de Portugal enquanto hub global de inovação e desenvolvimento digital no sector do turismo, uma das metas inscritas na Estratégia Turismo 2027», comenta Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal. «Dentro de 10 anos, queremos ser reconhecidos como um dos destinos turísticos mais competitivos e sustentáveis do mundo e, com esta parceria, estamos no rumo certo», conclui, em comunicado. Manuel Ramalho Eanes, administrador da Nos, acrescenta que o novo portal surge enquadrado na matriz de inovação da empresa. Além disso, permite reforçar o turismo «como uma área crítica para o desenvolvimento económico e coesão social em todo o território».